História de dentista

Foi na sexta-feira, dez horas da manhã. Eu estava na cadeira da dentista, com o bocão aberto, e ela com um alicate enorme lá dentro passando um arame farpado, lembrou de me perguntar:

– vai votar em quem?

Ela estava na campanha do vira voto 😀 No meu caso, não precisava, mas é assim que se explode a margem de erro das pesquisas eleitorais. Ela deve ter conseguido 100% de adesão!

Ler devia ser proibido*

Custa ler a porcaria do livro junto com o filho e conversar com ele?

livro

Quando perguntei pra Filhote se ela soube da censura ao livro, ela pulou do sofá. Ela já tinha lido e eu não sabia 😀

Eu acho que indiquei e acho que coloquei um exemplar no quarto dela. Não tenho certeza e ainda não fui lá fuçar, mas sei que já falei desse livro, pois além de ser ótimo, veio com história ótima: um menino muito legal que estava na oitava série mas fazia dependência de inglês na minha turma de sétima série, e morava perto da minha casa. Ficamos amigos. Um dia, ele colocou esse livro na minha mão. Ele disse que não gostava de ler, mas tinha adorado o livro e achava que era livro pra gente que lê. Ele estava orgulhoso de si mesmo e queria uma confirmação. Eu era “gente que lê”. Eu confirmei: é triste, mas é bom, sim.

Eu costumo perguntar à Filhote o que ela está lendo. Quando as duas leram o mesmo livro, a gente conversa sobre a história. Quando ela era novinha, ela me pedia pra ler certos livros e eu lia primeiro. Nunca disse “não pode”. O pior que eu fiz foi comprar o box Jogos Vorazes e falar “olha só, eu já comecei a ler, você pode ler, sim. O problema é que o ebook que eu baixei está muito ruim e eu vou ter que retomar a leitura no livro”, e ela teve que me esperar terminar.

Eu disse que eu dificilmente proibiria algum livro, filme ou peça, e ela lembrou de um sermão que eu dei recentemente. Dei mesmo. Fiz altas críticas ao teor da peça, mas autorizei. Vai, mas vai sabendo a minha opinião. De posse de pontos de vista diferentes, vai e forme a sua opinião.

Custava os pais dos alunos de um dos colégios mais tradicionais e caros do Rio de Janeiro lerem o livro junto com os filhos? Se o livro causou tanta preocupação – um livro infantojuvenil publicado durante o governo militar e lido por todos estes anos sem celeuma – custava ler e conversar sobre a história? Dá trabalho educar, dá trabalho mandar filhos para o mundo cheio de pessoas com outras ideias. É mais fácil aprisionar o filho na bolha, pedir para que o diferente seja escondido e simplificar absurdamente a realidade. Eu me assusto, pois eu sempre tive a ilusão de que pais querem que os filhos sejam melhores do que eles foram.

 

*Ler devia ser proibido, título de um campanha de incentivo à leitura: http://www.deolhonotexto.com.br/ler-devia-ser-proibido/

Qué passa? – Juanes

Qué pasó pregunto yo
Pregunto yo que paso en el mundo hoy
que en todos los diarios
yo leo la misma noticia de horror
vidas que callan sin razón

porque sera que hay tanta guerra?
porque sera que hay tanta pena?
que será? que será? pregunto yo

Que será que será? pregunto yo
Pregunto yo que será que no hay amor
Y que en vez de abrazarnos los unos a otros nos damos cañón
Y olvidamos el amor

Porque será que hay tanta guerra
Porque será que hay tanta pena
Que será? que será? pregunto yo

La gente se está matando la gente se está muriendo
Y yo sigo aquí sin comprender

Que pasa con el mundo que está tan inmundo
Que pasa pregunto que pasa pregunto
Pregunto yo que pasa hoy con el mundo
Que está tan absurdo que está taciturno
Que pasa que nada bueno nos pasa
Y que la paz por aquí nunca pasa
Que pasa que solo la guerra pasa
Que es lo que pasa pregunto yo

La gente se está matando la gente se está muriendo
Y yo sigo aquí sin comprender

Que pasa con el mundo que está tan inmundo
Que pasa pregunto que pasa pregunto
Pregunto yo que pasa hoy con el mundo
Que está tan absurdo que está taciturno 2x
Que pasa que nada bueno nos pasa
Y que la paz por aquí nunca pasa
Que pasa que solo la guerra pasa
Que es lo que pasa pregunto yo

Malditas fotinhas!

Eu recebo via Zap ou Facebook avisos de palestras, simpósios, cursos, feiras culturais, etc. Só compareci a um evento até hoje. Recebi o aviso olhando pra cima: estava em uma faixa na entrada do Instituto Multidisciplinar – UFRRJ , que é onde faço minhas provas. Vi o banner, vi que era na semana seguinte e no dia marcado apareci lá.

O problema com essas fotinhas é que quando tem link para o site do evento ele não é clicável. Esse cartaz aqui nem link tem. São 4 dias de evento sem programação e horários. É pra quem tá por lá mesmo.

Essa dificuldade no acesso à inform(ação) vinda da galera de Letras é que me aborrece. Devia ter link para o site, link para email, link pra formulário de inscrição e link para inclusão do evento em uma agenda eletrônica.

É semana de provas, não posso ir 😦

cartaz

Influência cultural

Imagine uma criancinha de 10 anos que vê essa besteira e ri. E depois ri sempre que lembra. Quando vê reprise ri mais ainda. Aí ela faz 18 anos e ri mais. E ela pensa: quando eu tiver um filho vou mostrar isso pra ele no dia do aniversário de 18 anos. Ela se casa. Ela tem uma filha. E 30 anos depois da primeira risada ela finalmente manda o vídeo pra filha.

Dever cumprido.

A contagem de tempo recomeça quando eu tiver um neto.

https://youtu.be/EyRAfUWXGSY

Esteira ergométrica

O teste de resistência começa antes de a esteira ser ligada.

– Tem pressão alta?

– Não.

– colesterol alto?

– não.

– diabetes?

– não

– Fuma?

– não

– ansiedade?

– ………

– Estresse?

– Grrrrrr

– Qual é o seu peso?

– Não sei.

– O que você escreveu aqui?

– Nada.

– Olha aqui.

– Não fui eu que escrevi isso.

– Então cê pesa quanto?

– Não sei.

– Quantos anos você tem?

– Quarenta.

– Agora tá se usando cabelo enroladinho, né?

– É.

– Lê aí o termo de responsabilidade.

“risco de infarto, tontura enjoo, morte súbita e queda da esteira”

– Eu vou cair da esteira.

Dor e sofrimento

Tá, vou deixar a Literatura Portuguesa de lado, 5 minutos depois de começar com ela, e vou ver o GP de Mônaco.

Uma punição, um beijo no guarda rail e outra punição.

O meu time, pro meu próprio bem, me faz querer desligar a TV e voltar para os mares nunca dantes navegados.