bruta, ciega, sordomuda, torpe, traste, testaruda

“Eu gastei muito dinheiro nas férias e até o fim do ano virão despesas pesadas e já apareceu o imprevisto dos ventiladores, tive que substituir os 3 ventiladores de casa, e tem o guarda-roupa da mamãe, a reforma no apartamento, o no-break do escritório, eu realmente preciso apertar os cintos e… ah, não…”

saki

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Tucano! Cadê você?

Eu vim aqui só pra te ver!

cadê o tucano?
cadê o tucano?

Em Foz do Iguaçu nós vimos tucanos, iguanas, jacarés, montanhas de cutias e de quatis. Em Puerto Iguazú, na estrada fomos envolvidos por uma nuvem de borboletas, ou melhor, uma panapaná!

No rádio praticamente só toca música em espanhol. ❤ Marcelo e Carolina se viciaram numa música porcaria-chiclete de Porto Rico.

Os mosquitos argentinos não gostam do meu sangue. Eu fiz a burrice de esquecer o repelente e mesmo assim não fui picada dentro da floresta. Os paranaenses, em compensação… já faz mais de 10 dias que fui atacada na piscina do hotel e os machucadinhos ainda não cicatrizaram. Os mosquitos cariocas estão até com pena e estão esperando que eu me recupere.

Os pássaros cagaram o carro todos os dias. No Parque das Aves, uma galinha cor-de-rosa subiu no poleiro pra mirar o Marcelo. Como disse o rapaz do posto de gasolina, “o passarinho prevaleceu, né?”

E a comida? Do restaurante famosinho ao food truck, comemos muito bem.

O inusitado: fomos à Feirinha (em Puerto Iguazú, e, sim, o nome é em português) pra comprar alfajores, mas o que me está deixando louca de saudade é a água. Paramos no centro da cidade para comer parrilla e beber A Água. Aqueles que acham que argentinos são engreídos, saibam que é a água que eles bebem. E que nós faríamos muito bem se a bebêssemos também!

Puerto Iguazú cobra taxa de turismo. O trânsito é desviado para um posto de cobrança, que são dois pibes em cadeirinha de praia. Um deles chega na janela do carro e diz OOOOOI. Visitamos a cidade 2 dias, porque no primeiro dia perdemos tempo comprando pesos e quando chegamos ao parque, o passeio de barco que passa perto das quedas já estava esgotado. Esquecemos da taxa e gastamos o dinheiro no parque. Mas a taxa pode ser paga em reais. No dia seguinte, já passamos diminuindo a velocidade e jogando para o lado do posto, mas os garotos estavam sentados e fazendo sinal com a mão pra que a gente fosse embora. Tô rindo até hoje.

E as cataratas? Um espetáculo! As partes brasileira e argentina são complementares, é preciso visitar as duas. Um dia para cada. No lado argentino, para visitas em dias consecutivos, no segundo dia pagamos meia entrada. Nos dois parques, cidadãos de países do Mercosul têm desconto. Seguimos as recomendações e optamos pelo passeio de barco argentino, que chega mais perto das quedas e proporciona uma indescritível sensação de “meu Deus, o que eu tô fazendo aqui, estou naufragando!” e muitos jatos d’água gelada vindos de todas as direções. No lado argentino anda-se mais. No lado brasileiro, um ônibus te leva aos mirantes e postos de embarque nos passeios náuticos.

Informação que uma nativa nos passou no Marco das 3 Fronteiras: “no Paraná não venta”. Aí eu passei o resto do passeio olhando para as copas das árvores, admirando o não-vento.

O Marco das 3 fronteiras é uma praça bonita com um obelisco. Olhando para a esquerda vemos o obelisco argentino e à direita, o paraguaio. À noite, os obeliscos brasileiro e argentino se iluminam. O brasileiro tem chafariz dançante e jogo de luzes coloridas. O Paraguai vai dormir. Ficamos imaginando “se eu pular aqui, qual guarda florestal vai me resgatar?” Achamos que a brasileira vai dizer que estamos além da fronteira (sem olhar para o rio), a paraguaia fecha às 16h e a argentina vai fazer sinal com a mão pra a gente ir embora.

Um aviso a quem vai à Itaipu querendo ver o tobogã (o vertedouro) aberto em plena capacidade: é difícil. É um mecanismo de segurança, acionado em períodos de cheia do rio. Aaaaaah 😦

Se fizemos comprinhas no Paraguai? POR SUPUESTO QUE SÍ. Um notebook, um celular e uma caixa de som pequenininha mas com potencial para nos fazer receber uma notificação do condomínio. Só não passamos da cota porque chegamos tarde, na primeira loja que entramos não tinha o modelo de celular que Marcelo queria e quando saímos, às 16h, “o Paraguai já tinha fechado” – definição precisa de Carol. Ainda bem, porque na fronteira um policial parrudão entrou no ônibus, mandou todo mundo que estava em pé descer, foi até a gente, mandou abrir as bolsas, bateu na caixa do notebook, que estava no colo de Carol (que dormia e acordou no susto) e perguntou “pagou quanto nisso aqui?” Como eu sabia que não tínhamos estourado a cota, eu já estava com a nota fiscal na mão.

Os ônibus que cruzam a fronteira são PIORES que os piores ônibus do Rio. Incluindo os piratas. E Ciudad del Leste é mais bagunçada que o pior camelódromo. O único lugar em que nos sentimos seguros foi dentro do “shopping”, devido à segurança. Armada. Com fuzis. Isso a gente ainda não decidiu se é melhor ou pior do que o Rio (sim, estamos meio desesperados aqui).

Passamos 6 dias em Foz e recomendamos MUITO a quem quer fazer passeios na natureza e comer bem 🙂

Precisa-se de um psicolinguista

Pra me estudar. Eu li a minha “vista pedagogica” no site do INEP e imediatamente começou a tocar na minha cabeça a seguinte musiquinha:

Mãe-iê sabe o que me aconteceu?
Mãe-iê o Tonico me bateu
(Ma ma ma ma ma ma ma mãe-iê sabe o que me aconteceu?
Mãe-iê o Tonico me bateu)

Roubou meu saco de pipoca
Meu pirulito e picolé
E ainda por cima mamãezinha
Deu uma pisada no meu pé

Eu tirei 160 na competência “domínio da norma” (tô até com gastrite). Já reli a redação procurando onde foi a barbeiragem. Tem uma chicane aqui, será que foi esse o meu pecado?

[…] formar profissionais capazes de ensinar as – e nas – duas línguas […]

Nota 120 em “proposta de intervenção”.  Nunca fui nota máxima, mas isso doeu.

Nota 160 na competência 3, selecionar informações de tudo quanto é canto na defesa da argumentação. Eu não tenho um livro de citações filosóficas e alusões históricas para decorar e usar em redações. O assunto era língua, lembrei do poema de Fernando Pessoa (minha pátria é minha língua…)

Competência 6, mecanismos linguísticos, nota 160. Uma corretora certa vez me disse que eu tenho repertório fraco. É mesmo. Não uso “portanto’, “em vista dos fatos supracitados”, “diante do exposto” “consoante” .. acho que “outrossim” devia ter sido aposentada depois da crônica do Veríssimo , tenho vontade de bater em que usa “hodiernamente” “debalde”, “destarte” e “dessarte”.

Competência 2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.

Sua nota nessa competência foi:200

É, na competência que avalia se eu sei ler e escrever texto argumentativo sobre o que li, tirei nota máxima. Faltou só o 200 naquela outra que avalia se eu sei escrever certinho. Eu escrevo certinho 😦

Nota final: 800

Minha preocupação hodiernamente ( 😀 ) é : como vou ensinar aos meus alunos a escrever um modelo de texto que me dá gastrite?

Sobre metas e promessas de ano novo

Hoje estou cumprindo uma tradição de ano novo: arrumando meu Evernote. Tenho agora 2221 notas. Há coisas pessoais, profissionais, de estudo. Há 2 anos tentei construir a biblioteca de ebooks lá. Não funcionou e já vi que não vai ser hoje que eu vou desfazer a biblioteca mal feita que ainda está lá.

Há traços de GTD na organização. Fiz com o GTD o que faço com todo plano para dominar o mundo que me agrada: estudei, apliquei, e depois reformulei a meu gosto. Sei que os entusiastas do plano dizem que esse terceiro passo é o clássico de quem não entendeu, afinal “o método é perfeito e…”

O que mais me intrigava no método eram os níveis. Tem o “faça agora” que realmente é muito legal. Tem as “tarefas de hoje” e as “próximas tarefas”. Aí já me sinto fazendo malabarismo.  E ainda tem as metas (1 a 2 anos), visão (3 a 5 anos) e propósito (o que meus netos vão lembrar de mim 15 anos depois da minha morte). Dramático. Eu escrevi um rascunho, um tipo de gaveta de sonhos inconfessos. O método estabelece prazos para abrir essa gaveta e criar projetos / tarefas para, passo a passo, transformar uma meta futura em uma atividade do presente. Eu abria a gaveta e olhava com o objetivo de me lembrar quem eu sou e do que eu gosto.

Mas eu não fiz nada? Fiz, sim. Eu ainda estou tentando elaborar em palavras o meu modo de agir. Até para me ver agindo. É como se eu seguisse o caminho por instinto, e não com mapas de navegação. A imagem que me veio hoje é a de uma grávida. Os sonhos não estão na lista “Talvez / um dia”, estão na lista de realidade em gestação.

Em 20 de dezembro de 2016 NUNCA JAMAIS EM TEMPO ALGUM passaria pela minha cabeça que um ano depois eu teria pedido dispensa de cargo, transferência de setor, teria feito vestibular, entrado na faculdade de Letras, já estaria aprovada no primeiro período e estaria pagando a fatura do cartão que veio com as passagens aéreas da viagem que faremos ano que vem. Eu sabia que eu faria essas coisas. Elas estavam em gestação e os passos que dei para transformá-las em realidade não foram conscientemente planejados. Muitas mudanças nasceram da crise. Meu posto de trabalho anterior era bom. Fiz coisas de que me orgulho. Encontro servidores na rua que lamentam o fim de um programa em que eu trabalhei. Mas as coisas mudam e eu estava indo trabalhar sem vontade. Foi preciso uma crise para que eu colocasse sobre a mesa os pós e contras. Se eu fosse planejar, eu teria feito “networking”. Não fiz, não sei fazer, não me orgulho disso e eu verdadeiramente me surpreendi ao receber a primeira proposta de trabalho – e de ver gerentes brigando pelo meu passe. Quer dizer, eu fiz networking, só não sabia que tinha feito 🙂

Ainda no posto anterior, e já desestimulada, comecei a estudar para (outro) concurso público. Só que tem um problema: eu não escolho concurso pelo que ele paga, mas sim pelo tipo de serviço. E os que pagam mais não me interessam. Acho que acabei de descobrir de onde veio a “chavinha da motivação” que move minha filha. Eu sou capaz de estudar Física felizona se for para ter acesso a algo que me apaixone. Ser Auxiliar Administrativo na PGM ou no TCM não me motivam. Sim, já tentei a técnica de colar no armário do guarda-roupa um contracheque deles ao lado do meu, mas não funcionou. Como disse Tim Maia, “não quero dinheiro, eu só quero amar”. Foi só mudar o foco de um concurso de nível médio qualquer para outro de nível superior em Letras, que tudo mudou. Primeiro eu teria que me formar em Letras, né? E antes disso, eu teria que estudar Física e Química felizona. Fiquei felizona. Mas faculdade aos 39 anos? Isso impôs uma dificuldade extra. Seria recomendável colocar o nome de uma Federal no currículo. “Ela é velha. Mas é UFF”.

Na gaveta dos sonhos inconfessos, a faculdade estava ligada a outro: o segundo filho. Eu não queria estudar com filho pequeno. Eu sei que todo mundo faz isso, eu só não queria. O segundo filho era a única coisa que me fazia querer mais dinheiro na conta: eu vivo bem com uma filha. Se tivesse outro, prejudicaria a que eu já tenho e o que ainda não existia mas já estava prejudicado, pobrezinho. Foram quase 20 anos resistindo às pressões da família. Chegou um ponto em que a família começou a me desestimular porque eu dizia que ainda era um plano futuro – foi quando eles disseram que eu já estava velha.

Com a faculdade, disparei a contagem regressiva para mudar de posto de trabalho. Aí as coisas ficaram muito doidas: quando dei por mim, estava preparando as condições para antecipar essa saída. De 4,5 anos, passou para 2 anos: assim que eu terminar de pagar minha hipoteca. Essa adiantada no cronograma me deixou ainda mais desconfortável no trabalho, até o dia em que, navegando a esmo na net, bati os olhos na frase “afaste-se de pessoas negativas”. Cansei de todo santo dia me perguntar se estava sendo moralmente assediada ou incompetente. Amigos e família me diziam que eu não era incompetente, mas eu não conseguia mais trabalhar com confiança, os problemas se avolumavam, eu não tinha mais espaço de criar. Sou incompetente? E se eu meter a mão na porta do GRH e perguntar “vocês me ajudam a arranjam um lugar novo pra mim?”, o que acontece? O que aconteceu? O chefe do GRH apontou uma mesa do outro lado da sala. “Ali. Quer?”

Claro que estou em lua de mel com os novos colegas de trabalho. Eles sabem que estou estudando para sair, mas não estou mais contando os minutos. Descobri que tenho muitos outros colegas de trabalho fazendo faculdade depois de velhos. Estou indo trabalhar com vontade. Estou aprendendo, estou contribuindo. Ser feliz no trabalho pra mim é só isso, não precisa ser a felicidade de filme e livros divertidos. Claro que tem problemas, felicidade não é ausência de problemas. Felicidade é ausência de dor.

Planejei encerrar o texto com “é por isso que não faço metas para o ano novo”, mas o pior é que faço. Em 2018 quero uma casa mais limpa e arrumada. E já estou enxergando como é que eu funciono: na gaveta dos sonhos inconfessos, tá lá: ajudar meu marido a entra na faculdade. Meu marido é o dona de casa, então é óbvio que eu preciso elevar minha qualidade como dona de casa. 🙂

Não tem playlist Música Latina 2017 :-/

Eu sei que quando choramingo que tive semanas com 4 aulas por disciplina, tendo que ler cerca de 30 páginas por aula, mais resumo, fichamento, exercício e videoaulas, ninguém fica com pena de mim. “Já começou Latim?” é a pergunta de menosprezo favorita do pessoal.

Pra ler alucinadamente no ônibus e no trem, eu tive que parar de ouvir música. Troquei o fone bluetooth por um tampão de ouvido!

Desde novembro  de 2016 ouvi só esses discos:

  • Barro – Miocardio (Barro é o cantor, Miocardio é o nome do disco, avisando porque eu mesma vivo esquecendo…)
  • Bruno Souto – Forte
  • Francisco El Hombre – Soltasbruxa
  • Paula Cavalciuk – Morte & Vida
  • Juanes – Hermosa Ingrata

E nada me empolgou.

Sabe o que me empolgou? O que eu colocava pra tocar quando não aguentava mais gregos, troianos, linguistas genebrinos, menus totalmente nonsense do LibreOffice Impress e metáforas indecifráveis? Lu & Robertinho, com sua série de QUINZE discos Sertanejo Mashup. E Ed Sheeran.

E tem outra: estou sentindo uma mudança de perfil: de a louca por novidades, cada vez mais passo a me comportar como a que quer ouvir as mesmas velhas músicas de sempre.