Dispensada

Pedi dispensa do cargo comissionado. No dia em que fui ao GRH pedir dispensa e transferência eu me senti tão atordoada como no dia da aprovação no vestibular. Me ofereceram um posto imediatamente. Me abriram as portas da prisão.

Ainda não fui transferida. Mas meu cargo já foi, pra outra pessoa, claro 🙂 Se não me transferirem amanhã, tranferir-me-ei eu mesma.

É a crise dos 40 que se aproximam. Estou demolindo tudo o que estava errado na minha vida.

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A lista

De tempos em tempos (ou ultimamente, a cada 5 minutos) surge uma denúncia contra o machismo, a sociedade patriarcal, as mulheres publicam relatos de casos de constrangimentos ou coisas piores.

Algumas vezes eu até tenho uma historinha real pra contar mas não vejo benefício algum em publicar uma coisa que me machucou numa hashtag. Aliás, pra mim, a gente só tem como mudar o futuro educando as crianças. O presente é caso perdido. A gente trabalha para mudar o futuro das nossas netas.

Essa reflexão veio na minha avaliação de Informática. Na hora de inventar uma lista de funcionários para criar a folha de pagamento, eu, preocupada com as terríveis fórmulas do Excel, digo, do Calc, chamei na mente a lista mais fácil, a que não exigisse uma sinapse sequer pra montar. Resposta da mente: F1 2017 drivers entry list. Segunda resposta da mente: o avaliador vai olhar seu nome e vai achar que você pediu ao seu marido, seu colega de trabalho ou pagou a algum cara pra fazer.

Minha filha joga esses jogos online, passa horas matando gente no computador. Perguntei se tem algum problema com outros jogadores meninos. “Não”. Falei que já li sobre isso, que os garotos são hostis quando olham um nick feminino. Ela me disse que ninguém usa nick feminino. E que no headset elá está falando com os amigos e amigas dela, colegas de escola e curso e tals. E vida que segue.

Decidi mesclar nomes de pilotos, escritores e personagens de séries. E vida que segue.

 

Um pesadelo e um sonho de infância

“Não, você não tem periondontite, gengivite, nem uma plaquinha bacteriana sequer. Mas, sim, você vai perder os dentes se não colocar um aparelho ortodôntico imediatamente.”

Um ano depois…

“Não, não tem espaço na sua arcada dentária. Vamos ter que extrair dois dentes.”

Conversando com minha ex-chefe, eu disse que, quando criança, achava que as pessoas perdiam os dentes aos 40 anos, era natural. Meus avós perderam, meus pais perderam. Mais tarde eu aprendi que se as pessoas visitassem o dentista com regularidade, poderiam não perder os dentes! Eu faço 40 ano que vem e a dentista me levou dois pré-molares. A ex-chefe teve problemas a vida inteira, reflexos de um acidente de carro na adolescência, e chegamos à conclusão de que  o natural é mesmo ficar banguela. Quem não quer ficar banguela vai se penitenciar na cadeira do dentista. E, se bobear, ainda perde um ou dois por falta de espaço.

*****

O sonho de infância: passar uma semana comendo sorvete! Eu ouvia as histórias de coleguinha que operou a amígdala e só podia se alimentar com sorvete. Minhas amígdalas são grandes. Grandes do tipo que quando eu chego na emergência com a garganta inflamada, a plantonista chama os colegas para admirarem a paisagem da minha garganta. Mas na minha vez os pediatras pararam de recomendar a cirurgia de extração de amígdala.

Durante o pós-operatório da extração de dente é recomendado comer sorvete para diminuir a dor e a inflamação da área. Todos os dias eu choramingava: tá inchado! Vai inflamar! Vai infeccionar! Preciso de mais sorvete!

O grupo das 4

É a etiqueta que eu coloquei no material de matemática, química, física e biologia. Eu não estou vendo o GP da Rússia porque eu rendo bem no estudo na parte da manhã, então me privei de prazeres e F1 nesse horário. Mas, batendo a cabeça no fichário pra aprender as G4 por osmose, ocorreu-me que, de McLata e tudo, 

O problema do sistema prisional brasileiro é que as pessoas estão cometendo crimes e sendo presas 🤔.

Tomei uns tabefes da corretora do Descomplica. O problema do sistema, me disse ela, é que ele não ressocializa os detentos. Ah.

Em domínio da língua e domínio do gênero textual me saí bem. Se eu receber um tema na prova contra o qual eu não me insurja a nota deve girar na casa dos 800 pontos.

Ah, a corretora disse que eu não uso as vírgulas muito bem. Malditas vírgulas!

Ouvindo podcast descobri o nome dá criatura que ensina os repórteres da Globo RJ a falar de maneira coloquial. 

A fala do repórter é controlada. Eles treinam para parecer que não é. Coisas como “A Ana tava pertinho do local do acidente”. Artigo definido obrigatório, verbo estar virou verbo tá. Mas o ritmo, a dicção e a entonação são controlados. 

É falso. E é um desserviço achar que o padrão formal não deve ser usado em uma situação de comunicação formal.