A oficina literária

Eu me inscrevi na oficina literária do Marcelino Freire porque meu bloqueio de escritora já está chegando, com o perdão do lugar-comum, às raias do ridículo. Nada como cortar os pulsos e sangrar na frente de estranhos quando não se consegue fazer isso na privacidade e conforto do lar. São duas aulas, a turma é ótima, o professor, escandalosamente bom.

Escolhemos cada um, uma palavra ao acaso e depois tivemos que criar uma definição. A sabidona aqui vira pra colega ao lado e dá conselho: escrever é cortar. Na hora de ler, cortei duas palavras. O professor ouviu, pensou, me ouviu de novo e sugeriu:

– Atenha-se ao núcleo. Vamos cortar metade disso aí e vai ficar bom.

Cortei. Ficou ótimo.

Eu sou prolixa, nenhuma novidade. Descobri que terei que trabalhar com o que eu sei fazer, não passar a vida correndo atrás do que eu não sei.

O trabalho de casa foi escrever um microconto (hahahahah). No trem eu comecei a elaborar. Imaginei-me escrevendo no trabalho e  mostrando o texto aos colegas. Minha consciência assumiu corpo e voz de um deles e não gostou da idéia.

– O chefe te libera para um curso de redação e você o mata?

– Mas é só no conto.

– Assassinato é assassinato.

Decidi não escrever no trabalho, muito menos divulgar lá. Peguei o celular, abri o bloco de notas e matei o chefe no trem mesmo.

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