Só não pode chover

A chuva começou terça-ferira.  Era um dia extremamente quente. Na hora do almoço choveu. Eu e os garotos do escritório andamos na chuva. Eu disse que minha preocupação não era o cabelo enrolar, era a roupa ficar transparente. Ao fim do expediente, fui ao Centro comprar presente de Maridão. O ponto final do meu ônibus fica no Largo da carioca. Foi o primeiro sinal de alerta: a chuva ainda era fraca, mas meu ônibus, que sai de 15 em 15 minutos, não apareceu em menos de uma hora. O primeiro que chegou tinha gente saindo por todos os poros. Outra coisa estranha: eles chegam aos pares, e na terça  quando um saía o outro ainda não tinha chegado. Embarquei no terceiro carro e fui pra casa em pé. 

Ontem Marido acordou e ligou o rádio. Soubemos que havia caído um temporal na cidade entre 3 h e 4h. Eu sei que as consequências da pancada se agravam nas horas seguintes. Se na terça já tinha sido ruim, a quarta prometia problemas dobrados. No meu caso, eu sabia que os ônibus estariam ou na garagem ou à deriva ao longo da Avenida Brasil. O ponto final de Bangu fica ao lado da estação de trem, problemas no trem levam os passageiros para a fila do ônibus. Decidi ficar no quentinho da minha casa. Ligamos a tv e vimos a situação ruim. O prefeito dizia que quem não tinha obrigação de sair de casa, que não saísse, mas não era caso de calamidade.

Só que às 7h da manhã caiu outra pancada de chuva. A situação, que já estava muito ruim, degringolou de vez. Não passou perto do cenário que eu imaginei, foi muito pior.

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Minha rua, no bairro vizinho. Em frente a minha casa tinha pouca água, mas agora eu entendi porque não tinha trânsito.

 

às dez da manhã o prefeito voltou a TV e disse que ninguém deveria sair de casa. Só os que já tinham chutado o balde, como eu e marido, poderíamos seguir a recomendação. Àquela altura, as pessoas que saíram entre 5h e 6h da manhã estavam tentando voltar pra casa, sem sucesso.

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Acesso à estação de trem de Bangu. Para acessar o terminal rodoviário, eu não subo, uso uma passagem subterrânea. O.O

Soube de gente que ficou 5 horas preso na Avenida Brasil. Teve arrastão e nossa polícia eficientíssima teve a brilhante idéia de trocar tiro com assaltante no meio do engarrafamento. Na altura de Bangu, um rapaz foi vítima de um crime inacreditável: roubaram o carro dele. Não me pergunte como o ladrão saiu com o carro…

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Avenida Brasil, altura de Irajá.

Uma coisa que está deixando a população perplexa é que houve inundações em lugares que não registram com frequência esse tipo de problema. Estudei no Maracanã e cansei de sair de lá nadando. Estudei em Marechal Hermes e nunca v i uma coisa dessas:

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Acesso à estação de trem e praça de Marechal Hermes.

A cidade é maravilhosa. Desde que não chova, que você não precisa fazer grandes deslocamentos, não precise de escola e hospital público.

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