O eduhacking num exemplo prático

Eu fiquei de explicar a minha placa de protesto enigmática. Eu saí às ruas não pedindo “mais educação”, e sim pedindo às pessoas que hackeien a educação. O que eu pretendo, aqui na minha Toca, é transformar a educação num processo em que nós, os educandos, temos voz e responsabilidade. Fora da escola eu já aprendi muita coisa que não me foi oferecida ou por “não ser importante” ou por estar supostamente além das minhas possibilidades. Quando comecei a ler sobre estratégias de pesquisa escolar para ajudar minha filha, então com 10 anos, vi que os professores se esquivavam da responsabilidade de ensinar os alunos a serem pesquisadores e o assunto ficava pra mais tarde, para o Fundamental II, para o Ensino Médio, para a faculdade, para a pós-graduação… Aí eu entendi que eu e Filhote teríamos que correr atrás. Já.

Existe muito conteúdo interessantíssimo no currículo, principalmente no Fundamental. O antigo ginásio é uma festa (nerd). Nem todo estudo pode ser divertido, aliás eu sofro estudando coisas que eu gosto. A recompensa é aprender e sentir-se crescer. Claro, de vez em quando eu aponto o ônibus Frescão na rua e comento que se eu tivesse aprendido mais (das coisas que não gosto) antes, não estaria andando de Quentão lotado. Argumento de quinta categoria, mas infelizmente verdadeiro. Pelo menos não é o meu melhor nem o meu principal argumento…

Vamos a algo que a gente gosta muito lá em casa: ler e escrever, textos literários e não-literários. Sendo assim, Língua e Redação são as cerejas do bolo. Pois bem, eu dou uma olhada no currículo escolar, nas apostilas, no caderno; escuto as histórias de sala de aula e, desculpe qualquer coisa aê, professora, mas a gente faz melhor. MUITO melhor. Mais conteúdo, mais qualidade, mais profundidade e mais FUN \o/

(Momento mãe coruja babona que acaba de arranjar pretexto pra falar da filha incrível, porque afinal de contas é disso que falam quase todos os blogs de quem é mãe)

Eis minha filha “estudando literatura”, ontem à noite. Estamos assistido The Lizzie Bennet Diaries, vlog baseado em Orgulho e Preconceito. Tem legenda, mas em alguns vídeos a legenda dá pau e somos obrigadas a entender Inglês na marra. Assistimos 10 capítulos por dia. Ontem aconteceu uma reviravolta na trama e Carol enlouqueceu de animação. Depois do último vídeo, ela voou pra cima do livro.

Aí vocês perguntam: o boletim é maravilhoso? Não é. Lê, escreve, argumenta ferozmente, se articula em grupos, mas nada disso vai para o boletim. Só por isso que eu ainda tenho que apontar o Frescão na rua.

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