Resenha do livro O Senhor dos Ladrões

Esta é a resenha do livro O senhor dos Ladrões, da escritora alemã Cornelia Funke, escolhido como o segundo livro de Janeiro lido dentro do Desafio Literário 2013.

Resenha escrita por Aline Rodrigues em 28/01/2013 em primeira versão, e digitado por Carol no dia 31, pois deu defeito no braço da mamãe. A mamãe agradece e conta pra todos que ela é uma excelente digitadora, nem olha pro teclado! 🙂

Personagens

Próspero & Bonifácio – apelidados de Props e Bo, são 2 irmãos que ficaram recentemente órfãos. Props é o mais velho, com 12 anos. Bo é um menino de 5 anos, de cabelos louros e encaracolados, uma imagem angelical que encantava sua tia. Apenas Bo seria adotado por ela e Props só poderia ver o irmão 1 vez ao mês. Próspero fugiu com Bo para Veneza, a cidade dos sonhos de sua mãe.

Victor Geltz – Detetive particular em Veneza. Controlado por Esther Hartlieb para encontrar Próspero e Bo. Apaixonado por disfarces e por seu casal de tartarugas. não é muito habilidosos, visto que é descoberto por Props logo na primeira tentativa de capturar os órfãos.

Esther Hartlieb – tia de Props e Bo. Decide adotar apenas o mais novo, que é o anjinho bonzinho, aos seus olhos.

Vespa – órfã, veneziana, menina de rua. Loira, usa o cabelo longo preso em uma trança fina, o “ferrão” que justifica seu apelido. Ela encontrou Props e Bo nas ruas e ofereceu-lhes abrigo. Adora livros e lê em voz alta para seus companheiros.

Riccio – menino de rua. Dono de cabeleira crespa e arrepiada, daí seu sobrenome. Apaixonado por gibis e bichinhos de pelúcia. O mais propenso a cometer furtos.

Mosca – menino de rua, negro, o mais alto e forte do bando. Junto com Riccio, era o incumbido de sondar os locais a serem roubados pelo senhor dos ladrões. Dono de um barco e um radinho.

Scipio, o senhor dos ladrões – chefe do bando, trata-se de um menino de 13 anos, que usa botas com salto e máscara para disfarçar sua pouca idade. Foi ele que providenciou o abrigo ao bando. Rouba objetos valiosos das mansões de Veneza e entrega ao bando . Muito seguro, beirando a arrogância. Exerce  fascínio sobre Bo, que sonha em se tornar um grande ladrão, para desespero de Props.

Ernesto Barbarossa- O gordão careca, de barba vermelha, dono de um atiguário. Comprava a mercadoria roubada por Scipio. é o responsável por colocar em contato Spicio um conde interessado em um grande roubo.

O conte-  Senhor bem idoso, decide contratar Scpicio para que roube um objeto aparentemente sem qualquer valor, e se dispõe a pagar uma fortuna. Vive isolado em uma ilha com sua irmã.

Ida Spavimento – Fotógrafa, dona do objeto de madeira. Ela sabe o motivo do interesse do Conte e entra em acordo com o bando para localizar a residência do conte

O Enredo

O romance se apóia em 3 linhas de Enredo :

A fuga dos órfãos  Esther não mede esforços para recuperar o sobrinhos Bo, a quem ela idealiza como filho perfeito . Não tem remorso em tira-lo do irmão mais velho. Props acaba levando Bo para a companhia de meninos de rua em Veneza, mas mesmo com toda a precariedade, o menino segue o irmão alegremente. O detetive Victor mal sabe se está fazendo o certo ao procurar as crianças parara entraga-las a mulher que ele julga uma desalmada.

Os meninos de rua de Veneza: Orfãos e pivetes, mas educados, alfabetizados, dedicam-se a hobbies e só furtam uando é necessário, por sobrevivência e sem violência desenvolvem um sentido de familia, entendido até mesmo aos extrangeiros Props e Bo

A idade que queremos: O aparecimento do conte introduz um elemento fantastico no enredo, que serve para colocar em jogo a questão da idade. O conte e sua irmã tiveram a infância roubada, Os meninos de rua não se sentem assim por sua probreza, mas Próspero se revolta ao ver que sua tia tem o  poder de decidir o destino sobrinhos menores de idade. Victor Getz tem alme de menino, o que se nota pela compreensão que ele tem com todos do bando e pelos cuidados com suas tartaruguinhas. Scipio, alem do  óbvio inconveniente  de ser uma criança no papel de Senhor dos ladrões também tem problemas familiares e acredita que poderia ser livre se fosse adulto.

Estrutura do texto

O romance acompanha a vida do grupo de crianças de rua em Veneza, seu abrigo, seus abjeto de valor afetivo, seu temperamento, as coisas que eles faziam para sobreviver. Os capítulos curtinhos apresentam, cada um, uma “ Aventura”. Essa linha do enredo se aproxima da crônica.

A ação se encontra na trama da caçada aos irmão e, de maneira bem acentuada, na trama que envolveu o conte e o objeto que ele encomenda ao senhor dos ladrões

Espaço

Veneza é a estrela do livro. Sua ruas e vielas, palacetes e museus, cafés e canais, leões alados, barcos, turistas, beleza, sujeita, frio. O esconderijo das estrelas oferece abrigo aos meninos de rua. Sem luz, cheiro de ratos, mais seguros.

Tempo e Foco narrativo

A história se passa em progressão temporal cronológico, com trechos de memórias, de alguns personagens.
O livro é narrado em 3º pessoa e acompanha a narrativa dos personagens( desviando o foco a cada capítulo), mas privilegia os acontecimentos que envolvem Props e Bo e , um pouco menos, Victor.

Minhas impressões

A história só ganha agilidade no terço final quando a proposta  do conte é aceita e colocada em prática. Nesse momento a unidade do grupo é desestabilizada pela ação da tia Esther e pela identificação de spicio essas duas linhas ocuparam boa parte do livro, o que provocou criticas de leitores, que o julgaram “ arrastado”, “enrolador” e “ cheio de detalhes sem relevância .

Considero que houve, sim, uma ruptura na narrativa. A primeira parte é uma crónica sobre um bando de meninos de rua. A segunda é uma aventura com pitadas de fantasia.

O bando de ladroenzinhos de Veneza é extremamente romantizado. É verdade que só conheço os do Rio de Janeiro e por isso eu não conseguiria acreditar no que o livro mostrava. Assim como era difícil acreditar na fotógrafa que tem arma de defesa pessoal em casa mas, ao ser assaltada, primeiro faz um acordo com os assaltantes e , depois, lhes da casa, comida, e roupa lavada. Esse aspecto me fazia lembrar que é um livro para crianças. Até na parte em que supostamente se atém à realidade, a fantasia ( ou a visão romântica ingénua) predomina.

O livro não é sobre o Senhor dos ladrões e também não é uma aventura  fantástica, ainda que apele para a fantasia no final. Se na questão de enredo Cornelia Funke foi instável, na escolha do cenário ela foi bastante segura: ela é alemã e vive nos estados unidos, mas a ambientação em Viena foi bem convincente. Eu me vi abrindo o google maps e observando, colocando marcadores e procurando esconderijos, a casa de Victor e de Ida.

As crianças querem crescer, os adultos querem voltar no tempo. Ao fim do livro ficamos com essa questão martelando na cabeça. Especialmente o leitor adulto, que já passou pelas duas fases.

Recomendo a leitura para crianças acima de 12 anos que já tenham o habito e que não estejam presos apenas um tipo de enredo. Fãs de literatura fantástica ou só de aventura talvez se decepcionem. Ou talvez comecem a abrir a mente para opções.

Pra encerrar: É impossível não amar Próspero.

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