Crianças Robô, um artigo sobre a medicação indiscriminada de crianças 

E agora a Wikipedia falando sobre… a infância do meu irmão???

Hiperatividade
  1. Freqüentemente agita as mãos ou os pés
  2. Freqüentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado
  3. Freqüentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação)
  4. Com freqüência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer
  5. Está freqüentemente “a mil” ou muitas vezes age como se estivesse “a todo vapor”
  6. Freqüentemente fala em demasia
Impulsividade
  1. Freqüentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas
  2. Com freqüência tem dificuldade para aguardar sua vez
  3. Freqüentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por ex., intromete-se em conversas ou brincadeiras)

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Sempre que me falam de TDAH eu falo do eu irmãozinho. Ele tinha esse treco de verdade. Só não era agressivo, nunca foi, mas hiperativo, sim. Ele era incapaz de ficar sentado, quieto, copiando e fazendo exercícios. Mas não fazia “zona”, ele levantava e parava do lado de alguém pra conversar. Esse alguém podia ser o colega do outro lado da sala, a professora, a professora da sala ao lado ou a tia da cantina. Todo mundo sabia que ele não era “normal”. Desempenho escolar? Excelente. Relacionamento pessoal? ele era (é) um mestre. Ficou combinado o seguinte: ele aprendia no ritmo dele, sozinho, a escola era espaço de socialização. Mas mamãe não podia procurar uma escola mais forte porque em outra escola ele não poderia sair pra jogar bola no meio da aula de português sem que ninguém sequer olhasse estranho. Eles agiam com a maior naturalidade. Certa vez ele voltou pra casa de braço quebrado, mas como ele se quebrava no quintal e até dentro de casa, nada de anormal ele se quebrar na escola também. Mais velho, ele se acalmou, mas continua operando no ritmo dele. aos dez anos ele botou fogo na minha cama e eu achava legal dormir num colchão faltando um pedaço, chamuscado. Impressionava as visitas :))) 

Naquela época o diagnóstico não era comum, os remédios não estavam banalizados. Só de imaginar meu irmão medicado me bate um desespero. Tenho filha pequena, tenho amigas com filhos e sei que a escola dele foi uma dádiva. Eu não estudei lá, eu era quietinha, estudiosa, comportada e sempre estudei em escolas mais “fortes” que as dele. resultado: tivemos desempenhos escolares equivalentes até o segundo grau, ele fez faculdade, ele conseguiu empregos melhores, ganha mais e eu o acho mais inteligente. Se fôssemos crianças hoje em dia, um remédio roubaria de mim o meu irmãozinho.

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