Eu que o diga…

Tirei zero em redação. EU TIREI ZERO EM REDAÇÃO. Eu não estava morta, drogada, bêbada nem tinha deixado a cachorra comer meu caderno. A professora disse que eu tinha plagiado alguma reportagem.

A proposta: faça uma redação descrevendo uma máquina em linguagem conotativa.

Eu descrevi essa belezinha aqui:

Isso foi em 1992. Eu comecei a acompanhar a F1 em 1991, GP do México, com pódio desses dois lindos. Foi o renascimento da equipe e eu torci desesperadamente pra que eles impedissem o tri do Senna. Ah, o Japão. Quando eu me ferro, eu me imagino como Mansell no Japão. Quando eu me ferro, não quando me ferram. Em 92 veio a felicidade. Adrian Newey é tão bom fazendo carrinho quanto Aline fazendo redação, falta de modéstia incluída na conta.

Tentei resolver a questão invadindo a sala de professores e escrevendo outra redação na frente da pessoa que me deu zero. Mas descobri que ela tinha tido um surto de rigor corretivo e zerou muitas redações. Os bons escritores ficaram com nota 4, menos a garota de 14 anos apaixonada pelo FW14B, que levou zero pelo crime de plágio. Com a aglomeração na porta, a coordenadora de língua portuguesa saiu da sala de professores e disse que a pessoa iria lançar nota 4 para todos os alunos. A multidão se satisfez. A média, ridícula, era 5, e a maior parte dos alunos mal chegava no 4. E, pra falar a verdade, não valia a pena brigar. Uma possível nota 8, 9 ou 10 na redação poderia virar meio ponto na média no final do ano, se isto fosse necessário para aprovar o aluno, pois não se reprova aluno sem algum motivo de força maior. Mansell em Suzuka 91 era eu em Marechal Hermes 92. E sim, era eu quem estava jogando minha máquina poderosa pra fora da pista estupidamente ao permanecer matriculada naquela escola.

Anúncios