Uma aula de cidadania ministrada por Isadora (13 anos)

Isadora, 13 anos, aluna da rede municipal de Florianópolis cria uma página do Facebook para expor o péssimo estado de conservação da escola, desmentindo a versão oficial de diretora e secretaria de educação, de que estava tudo em ordem.

http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2012/08/aluna-cria-pagina-no-facebook-para-relatar-problemas-da-escola-em-sc.html

http://www.facebook.com/pages/Di%C3%A1rio-de-Classe/261964980576682

A tentativa de intimidar a menina e seus pais só aumentou a repercussão do caso, e com os olhos do país inteiro (pior, de internautas excitados com a polêmica da hora), as autoridades competentes tiraram a competência debaixo do tapete e foram (de muito bom grado, obvio) verificar e começar a resolver os problemas de manutenção.

Aí as toupeiras de sempre surgem com o brilhante argumento: “quem quebra escola é o aluno, quem tem que ensinar a não quebrar é a mãe e o pai”. É muita genialidade, só que não.

A criança não quebra a porta do banheiro em casa porque é ensinada a não fazê-lo, porque ninguém faz, porque quando acontece, quem quebrou cuida para que não aconteça mais, e o dano é reparado o mais rápido possível. É, estou me lembrando de quando comecei a ajudar na faxina em casa, joguei água no banheiro, uma barata apareceu, subiu pelo box de acrílico e eu arremessei a vassoura para matá-la. São muitas lições: fazer faxina sem ninguém mandar, aprender a fazer direito e não entrar em pânico e quebrar tudo ao ver uma barata. Nem no meu banheiro, nem no de ninguém.

Quando a criança ingressa numa escola quebrada, onde ninguém se sente responsável pela conservação do prédio, quando os danos não são reparados, quando há uma escala hierárquica na importância de cada ator do ambiente (o banheiro dos professores e da diretora é limpo e tem tranca e papel, por exemplo, experiência pessoal de novo…), e não há nenhum esforço para responsabilizar os vândalos vindo da parte de cima da hierarquia, por favor, alguém me diga, como impedir que se quebrem as coisas? Por que a escola particular e muitas públicas são menos sujas e menos indisciplinadas, se em todas as escolas há ignorantes de todos os lados (pais, alunos e professores) brandindo um documento que ninguém leu (aquele estatuto), na busca de não se responsabilizar?

Isadora expôs a secretaria, a diretora e também os colegas vândalos, de uma tacada só deu a oportunidade à direção de retomar a autoridade sobre os vândalos, porque dentro do “nível hierárquico” deles (escola ou quartel? depois a gente discute isso) começa a surgir um sentimento de repressão. Se eles, os vândalos, se sentirem inadequados e sem espaço para agir, eles mudam o comportamento. Eles, os vândalos, e eles, a diretoria e a Secretaria.

No fim da matéria, uma professora da escola não identificada comenta que isso é ruim para os professores, que têm uma profissão difícil e estão recebendo comentários que os desvalorizam. Eu vou me segurar e não desvalorizá-la mais um pouco porque não sei em que contexto isso foi dito, a gente sabe como alguns jornalistas escrevem as matérias. A declaração tá sem-noção demais pra eu dar crédito e marretar. E, rolando a página do Diário de Classe, o primeiro post sobre professor que encontrei relatava que ela teve aulas com professores titulares e auxiliares, diz que aulas com titulares são melhores e terminou dizendo que a aula em que a diretora substituiu a auxiliar foi muito boa. dá vontade de chamá-la de gênio, mas não, ela é uma menina inteligente e com boa formação. Parabéns aos pais e à escola que ainda não compreendeu que tem grande responsabilidade na formação dessa moça incrível e está recebendo atenção, preocupação, cuidado por parte dessa mocinha.

Anúncios