Aline x diretrizes da escola (de novo)

De um lado a escola proíbe smartfone e tablet, com direito a lei colada na parede da sala de aula. Do outro a mídia mostra o que é estilo de vida para a mulher contemporânea.:

Porta Ipad que custa o dobro do tablet, do caderno ELA, editoria VIDA e a mesma matéria salva no Scribd, pra quando “sumir” do jornal

Eu tenho plena consciência de que a escola está se defendendo do mau uso do aparelho. Reprimindo com ameças do Estado à liberdade do indivíduo que não pretende fazer mau uso, e até mesmo daquele que deseja fazer uso inteligente das ferramentas.

O uso de mochila, caderno e roupas do segmento “de grife” não é controlado, nem reprimido, nem questionado pela escola*. Nem deveria, pois o valor que atribuímos aos bens materiais é departamento de educação familiar. Mas o silêncio da escola frente à sociedade de consumo é ou não é consentimento? Uma menina pode usar uma mochila de R$500,00 (a minha custou R$50,00 na Magal 😀 ), normal, problema dela e dos pais dela. Eu não posso gastar R$800,00 num tablet pra carregar as apostilas (todas, de todas as séries cursadas), material de apoio, álbum de fotos, cadernos com tags, máquina fotográfica e filmadora, calculadora, relógio, conversor de medidas, a porra do Google Translate que lê na hora a palavra estrangeira, ensinando a pronúncia, porque nada disso é aproveitado pedagogicamente, restando apenas usos para expressão individual de falta de educação, que, todo mundo sabe, também é departamento de educação familiar.

Quero ensinar minha filha a usar as ferramentas de seu tempo com destreza, ainda mais sabendo que, para a geração dela, as coisas mudam e continuarão mudando muito rápido. Eu não quero que minha filha aprenda que botar o netbook ou tablet dentro de uma capa que custe o dobro do aparelho faz dela uma pessoa, uma mulher, digna de admiração.

* O Jardim Escola Viver e Criar, em Realengo, trabalhou o livrinho No Mundo do Consumo – a administração das necessidades e dos desejos, com a turminha da quarta série. Aline x propriedade intelectual, mas por uma boa causa, embora vá acabar presa e com a filha expulsa da escola de qualquer jeito

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