Quando os personagens deixam os livros e passam a fazer parte da nossa vida

A certa altura Rachman pergunta a Gladwell se ele acha que livros (e personagens) que a gente gosta mexem com nossa capacidade de ver e apreciar as pessoas (na vida real). Eis aqui, na minha tradução sempre apressada, a resposta de Gladwell:“Certamente. Na verdade, essa é para mim a grande virtude da ficção – ou da “boa” ficção. Uma das consequências mais preocupantes da comunicação online, por exemplo, é que ela é polarizadora. Isto é, quando você lida com alguém de uma maneira tão limitada, o resultado é que você ou acaba gostando dela muito mais do que gostaria normalmente (essa é a base de um namoro pela internet) ou a acaba odiando bem mais do que odiaria normalmente (essa é a razão pela qual comentários de blog são tão agressivos). Porque você tem uma noção tão limitada da pessoa que está na outra ponta, você preenche as informações que estão faltando com preconceitos. A ficção te oferece uma experiência oposta. Num bom livro, nós temos um retrato íntimo e bem definido de alguém – a ponto de nossos preconceitos serem totalmente neutralizados (ou quase totalmente neutralizados) pelo mundo criado pelo autor. Esse é um tipo extremamente importante de disciplina social: ela nos lembra que uma parte importante do que significa ser humano é substituir nossas conclusões apressadas sobre as pessoas pelas verdadeiras evidências empíricas que elas nos oferecem”.

viaG1 – Zeca Camargo.

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