Jogos vorazes

Incrível como o público se abandona ao espetáculo da violência, como se envolve com os participantes dos jogos como se fossem seus amigos, torcem, vibram e acabam se acostumando e necessitando de doses cada vez maiores de “emoções”. O público precisa ser jogado de um lado para o outro constantemente, como numa montanha russa. O público não consegue se concentrar e ficar em silêncio por mais que 40 minutos. O público exige  de entretenimento forte, conturbado, violnto e raso.

Não, eu não estou falando dos habitantes da Capital. É do público da sala de cinema mesmo. Nem eu escapei, ao suspirar, encantada com o vestido vermelho da Garota que Pega Fogo. O Pedro Bial pede à ela que rodopie no palco, horas antes dela ser jogada na arena da morte. Mas das piadas do Peeta eu não ri. Assustador mesmo foi ouvir o pessoal lá atrás comentando as alianças dos “brothers” durante o jogo.

Eu li o livro e pelo que leio nas críticas, quem não leu está reclamando, diz que o filme não se explica.  Tem quem acha que a premissa do filme é improvável e debilóide… Tudo bem,  mas não é “reflexo dos nossos tempos tão carentes de cultura”. É culpa dos gregos, uai.

Tive que assinar uma autorização para que minha filha entrasse no cinema. A mocinha disse que era por causa da censura. Eu estrilei: “censura, não, classificação indicativa!” Ela escreveu na ficha que os pais acompanhavam a menor num filme proibido para menores de 14 anos. Se eu não tivesse chegado ao guichê em cima da hora do flme, ela teria que mudar esse texto. Eu estou levando minha filhote para ver uma trama que aborda o controle governamental absoluto sobre a vida e morte de seus jovens e tenho que assinar um papel dizendo que eu ignorei a censura? É porque não é censura de verdade. Ai de nós se a censura de mentirinha começar a se levar a sério.

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2 comentários sobre “Jogos vorazes

  1. Enquanto lia o primeiro, tive a sensação de estar assistindo aos jogos pela TV, ou melhor, pelo peipervíu. Quando cheguei ao cinema, mesma coisa. Todo mundo super-enfeitado, dando suspiros, aplausos e (até!) risos. A Capital é aqui!

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