A cópia na minha vida: as origens

Sou filha de costureira. Mamãe tinha pilhas de revistas Manequim e Moda Moldes. As modelos usavam roupas lindas e roupas pavorosas, todas cedidas por butiques. No centro da revista havia um bolo de folhas destacáveis. Eram os moldes. Eram como esse da ilustração, mas os riscos se repetiam em escalas diferentes, de acordo com o manequim desejado. Mamãe usava um giz especial para transferir o risco para o tecido. Depois eram feitas as adaptações, porque, por incrível que pareça, os seres humanos não são padronizados, muito menos simétricos. Cada uma dessas cotas era medida no corpo da cliente. Minha mãe já sabia quais eram os “defeitos” das clientes habituais (a minha proporção c/d está na ordem de 1/10). Minha mãe também sabia fazer a costura com reserva de tecido embutida, para quando a cliente resolvesse engordar (1/20). Os modelos da revista às vezes eram bem exóticos, e mamãe aprendeu a tirar os detalhes estranhos e ficar com a base, e depois a adicionar outros detalhes. Cansei de levá-la para ver vitrine de loja, para que ela olhasse a roupa e fosse para casa tirar o molde. Até pouco tempo, ela tinha uma gaveta de moldes personalizados, esperando um dia, uma ocasião, um pano ideal. Acho que todo mundo tem essa gaveta…

Não sei o que me trouxe essa idéia à mente ontem à tarde. As lojas cediam a roupa e permitiam a publicação do molde. Cópia incentivada e autorizada! E a indústria da moda não foi nem será destruída!

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