Jovens falam sobre medo de ficar sem celular

Nomofobia afeta 66% da população mundial, segundo pesquisa

RIO – A cena é comum em mesas de bar, no ônibus e até dentro das salas de aula: as pessoas não conseguem ficar três minutos sem olhar para seus telefones celulares. Trata-se de uma realidade carioca que reforça uma estatística mundial. De acordo com uma pesquisa divulgada mês passado pela empresa britânica SecurEnvoy, especializada em serviços de segurança móvel, 66% da população do planeta já “sofre” de uma tal nomofobia. Vem a ser o medo, quase pânico, que uma pessoa tem de ficar sem o celular.

Basta um giro pelo Baixo Leblon à noite para se perceber que, nos estabelecimentos, pouca gente passa mais de cinco minutos sem dar atenção ao seu “amigo de bolso”. Na última quarta-feira, no bar Itahy, as amigas Dayanne Azevedo, de 26 anos, e Sheila Eustáquio, de 27, não afastavam olhos e dedos de seus telefones. Quem não estava trocando mensagens ou tirando fotos, estava postando as imagens em redes sociais.

— É assim o tempo todo: em casa, no trabalho ou no supermercado — delatou logo o amigo Murilo Tavares.

Dayanne, porém, não se irrita com a fama de “viciada”.

— Não consigo largar. Meu celular avisa toda vez que recebo um e-mail ou recado no Facebook. E eu sempre quero ver qual é a novidade — reconheceu a advogada.

A estudante de direito Hanna Giglio, de 18 anos, sente na pele, duas vezes por semana, essa ansiedade tão típica de uma era dominada pelas tecnologias de telecomunicação. Na sala de aula onde a universitária faz seu curso de espanhol, o telefone fica sem sinal, e a internet 3G também não funciona. Ela não tem outra saída a não ser passar uma hora e 40 minutos desconectada.

— O mais difícil para mim é não poder fazer pesquisas rápidas quando sinto vontade ou preciso. Na faculdade, se o professor fala sobre um livro, já pego o celular para saber quem é o autor ou qual o preço. Sou a pesquisadora oficial da turma. Mas, no espanhol, sofro por não poder conferir o significado de uma palavra desconhecida, por exemplo — comenta Hanna.

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Eu não tenho medo de perder o smartfone, tenho pavor de perder os dados armazenados no smartfone!

 

Tenho medo de perder minha agenda de contatos com todas as anotações (endereços completos, indiscrições minhas, cpf, rg e até o manequim da pessoa).

Tenho medo de dar acesso aos serviços web, como email, sites, blogs, tudo logado…

Tenho medo de perder um álbum de fotos com cenas particulares da minha família.

Tenho medo de perder minhas anotações particulares.

Tenho medo de perder um bloquinho de notas com coisas que não deviam ser anotadas ¬¬

Tenho medo de perder um aplicativo com informações cujos direitos pertencem a meu empregador, que eu carrego comigo para que eu possa trabalhar confortavelmente no sofá da minha casa e não trabalhar na minha escrivaninha se eu não estiver afim.

 

E, principalmente, tenho medo de que minhas travas de segurança sejam quebradas, mesmo sabendo que eu não sou a diretora, não tenho contatos na altas rodas, e o invasor se decepcionaria com meus dados top secret O.o

 

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Outro dia eu sonhei que tinha perdido o telefone, o Galvão Bueno o encontrou e passou a escrever nos meus blogs.

 

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Se eu estivesse na aula de espanhol e quisesse pesquisar alguma coisa, anotaria ou no caderno ou no bloco de anotações do celular, uai.

 

No século passado, quando fiz curso de espanhol, a gente trocava indicações de cantores. Será que hoje em dia a galera monta playlist no youtube e dá o play no meio da aula? Pendejos!

 

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Deus me livre de alerta de mensagens. Só deixo as de um tipo: as tarefas domésticas, que se eu mesma não me encher o saco, eu não cumpro, e ainda assim eu brigo comigo mesma.

 

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No supermercado, não posso ignorar o celular de jeito nenhum. Ele serve de calculadora, lista de compras e telefone pra ligar pra casa e conferir se precisa de mais cebola, ou se vale a pena comprar o leite da promoção. Ou (caso verídico), ligar pra casa e pedir pra alguém levar o cartão que ficou no bolso da bermuda O.o

 

Enviado poremail

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