Ctrl+F, ou como eu descobri o que era cola

Foi na antiga Classe de Alfabetização, o antigo CA. Nunca vi ninguém reclamando do artigo masculino, nem corrigindo para A antigA CA, o que não deixa de curioso. Hoje em dia o CA é obrigatório (não era????) e passou a ser chamado de O primeiro ano. Vai ver foi pra acertar a concordância.

A tia passava umas folhinhas mimeografadas (na hora, pro cheirinho deixar a turma ligadona) com umas figurinhas e espaço para escrever o nome das figuras. Um dia, a tia mandou tirar todo o material de cima da mesa e deixar só essa folhinha. Então ela nos mandou escrever e não falou mais nada. E disse que devíamos ficar em silêncio também. Nunca tinha visto uma aula tão estranha. Olhei as figurinhas e pensei “eu já fiz isso antes”. Peguei a mochila. A coleguinha ao lado me olhou com cara de espanto. Peguei meu caderno, abri e mostrei pra ela: aqui, as figurinhas!

A tia voou na minha direção e gritou comigo.

– Isso que você está fazendo é COLA!

Entendi na hora que cola era uma coisa muito feia. Descobri o que era a cola antes de ter descoberto o que era uma prova. E o pior é que ao longo da vida escolar eu não precisei colar, eu fui solicitada (pressioanda é a palavra) a fornecer cola a pessoas que gostavam de mim e a que não gostavam.

Eu já estava escrevendo essa memória quando me deparei com esse artigo:

http://livroseafins.com/controlf-e-analfabetismo-digital/

Os que sabem usar o ctrl+f são exatamente os que não precisam colar, porque o nível de raciocínio exigido na bendita prova ainda é o mesmo, é pouco pra nóis.

 

Eu tive que colar pra escrever vela provavelmente porque estava mais preocupada em descobrir como escrever direito o dome do Dartagnan nas paredes da casa da Vó.

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