Desassistidas

E eu reclamando que o ortopedista de emergência do hospital particular me mandou embora sem laudo, sem código, sem tirar meu gesso e avaliar se eu posso ou não botar calço… Pois bem, o cardiologista da clínica particular mandou minha mãe embora também. Disse que o caso dela é complicado, que ela não devia ter saído do hospital, que o atendimento dele é superficial, não é para infartados. Mandou-a para a fila do ambulatório do hospital estadual. Recusou-se a fazer o pedido de exame. Com esse pedido eu pagaria o exame ou numa clínica de exames caríssima ou na ONG; assim, quando ela chegasse para a primeira consulta no ambulatório público pelo menos já teria exames na mão. Mas o cardiologista particular disse que não há absolutamente nada que ele possa fazer por ela. Nem mesmo pedir um exame. Ele não trata de infartados. Como ela começou a se consultar com ele antes do infarto mas depois de um avc, apresentando quadro de hipertensão e colesterol alto, ele sequer é capaz de tratar o paciente preventivamente para evitar um infarto. E disse que ela (repito: avc, hipertensão e colesterol e agora infarto) deve estar supermedicada.

Tenho que chamar meu irmão pra conversar. Temos mãe doente. Esse médico é imprestável. O curioso é que a neurologista da clínica é ótima, mas temos que pagar outro cardiologista. Temos que comprometer uma parcela alta do nosso rendimento para mantê-la viva e se sentindo bem. Sei que vai chegar um ponto em que o dinheiro não será suficiente e entraremos na roleta-russa do sus, mas até lá não gastar com ela significa ajudar a matá-la. 

(lista de coisas a fazer assim que voltar a andar: imprimir esse post e distribuir na sala de espera daquela clínica. A reclamação por escrito, com nome e crm do inepto, minha cunhada vai encaminhar à direção. Eu só não publico porque não os tenho agora, em breve eu atualizo.)

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