Problemas de desembarque (de novo)

E o motorista fez de novo. outra linha, mesma empresa. Parou em fila tripla, abriu a porta e me mandou desembarcar. Pedi pra que ele encostasse na calçada, mesmo que passasse do ponto. Ele respondeu como se eu tivesse pedido pra ele parar dentro da garagem da Prefeitura:

– Mas tá tudo parado! – e apontava o ônibus a cinquenta centímetros da porta, que “estava parado” se movendo lentamente, procurando espaço entre os veículos, procurando um clarão pra encostar na calçada, procurando tudo menos mulheres de salto alto e mochilão nas costas caminhando no meio da Avenida Presidente Vargas. 

Imagine se eu desembarco, vem uma moto e eu morro? Ontem mesmo eu conversava com minha filha sobre os problemas que nos atingem por acaso e os que nós provocamos. Imagine se eu “me morro” de maneira tão estúpida? Estúpidez foi a palavra que me veio à cabeça enquanto olhava a porta aberta e a cara do motorista pelo retrovisor.

Eu não disse mais nada. O coração foi na boca, imaginei que ia mais uma vez passear na Praça Onze (dois pontos à frente). Necessário informar que era um ônibus parador que trafega pela pista lateral da Avenida Brasil. A Fiocruz mandou pôr alambrado na beira da calçada para impedir aglomeração e fila tripla de ônibus em frente a seu prédio. Pois bem, esse mesmo motorista abriu a porta para desembarque em frente ao alambrado. As passageiras tiveram que se agarrar ao alambrado por uns 300 metros, com os veículos passando a 50 cm de suas bundas. Eram duas mulheres e três crianças, sendo duas de colo. Elas pediram ao motorista pra descer e saíram numa boa. Se elas podem, por que é que eu quereria o privilégio de pisar na calçada? 

O que é que eu poderia dizer? Argumentar? Não funciona. Discutir? Não funciona. Acionar a fiscalização? Não funciona. Tudo já testado e reprovado. O ônibus avançou um pouco mais, encostou na calçada, estacionou. E aí o motorista me olhou pelo retrovisor. Eu perguntei “o senhor pode abrir aqui?” Ponto, não era, né, muitas vezes eles se agarram ao meu senso de correção pra usá-lo contra mim e aceleram o carro até a parada seguinte. Ou a outra. Dessa vez, ele abriu a porta.

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Eu tô lendo o grupo de discussão de mães e pais com filhos (tem mãe e pai sem filho?) o pessoal falando de hiperatividade e das famílias que não controlam seus monstrinhos. Dá pra cabeça da gente não ir a mil por hora vivendo num ambiente desses? E se eu ponho freio , ou trava, nas minhas emoções (nem um pouco positivas ¬¬ ), eu não estou me prejudicando, minando minha capacidade de reagir? E isso se repetindo com cada um dos indivíduos não nos incapacita, como sociedade a reagir a agressões, a ponto de nós mesmos nos agredirmos sem perceber?

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Eu me identifico com os monstrinhos? O.o

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Remédios? Não funciona. Dorgas? Bem, isso aí eu ainda não testei, mas a impressão que eu tenho quando vejo os cracudos na linha do term em Bangu e Padre Miguel é de que não é uma boa.

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Eu pensei em fazer uma conta no 4sqr (sei lá como escreve 😀) só pra fazer check-in em ônibus monstruosos, mas o plano 3G ainda não se encaixa no meu orçamento. O rapaz sentado ao meu lado também tinha um Galaxy 5. Tecnologia nas mãos do povão. Tem que prestar pra alguma coisa útil…

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Se o WI-FI na Avenida Brasil funciona? Well, errrr, bem… não. ¬¬

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