RJ: ‘cola’ entre alunos no Facebook vira caso de polícia

A troca de mensagens entre pré-adolescentes no site de relacionamento Facebook foi parar na delegacia. O colégio pH, unidade Barra da Tijuca, entendeu que os alunos estavam passando ‘cola’ pela Internet e ordenou a uma estudante que apagasse o site. Andréia Coelho, diretora de comunicação de uma empresa multinacional e mãe da menina em questão, de 15 anos, prestou queixa na 16ª DP (Barra da Tijuca) contra a direção da escola.

Segundo Andréia, sua filha foi constrangida e coagida: “Eles tinham esse site onde trocavam informações sobre exercícios que vinham de dever de casa para entrega após uma semana e valiam ponto. Quando a diretora descobriu, mandou minha filha apagar, dizendo que eu e ela poderíamos ir presas por crime cibernético. Mandou ela para casa no horário escolar, sem me chamar lá, deu suspensão de 5 dias e nota zero em provas. Os outros 700 que estavam no site não sofreram repressão alguma”. Segundo Andréia, a filha não quer mais frequentar a escola e está tendo atendimento psicológico por conta do episódio.

A página criada pela garota chama-se ‘Dane-se’. Agora tem 154 usuários, que se recusaram a sair, mesmo com os apelos da jovem, que não conseguiu apagar a página. Lá, ainda é possível ver que os alunos compartilhavam respostas de provas para turmas que ainda iriam ser testadas. Depois do ‘Dane-se’, alunos criaram nova página na Internet, chamada ‘Estou de volta’.

Já li sobre blogs que publicam as respostas dos livros de professores. Li sobre profesora que passava trabalho com 50 exercícios e os alunos formavam um grupinho, cada um assumia 5 questões e em pouco tempo todos tinham as respostas sem muito esforço. Eu não sei se eles estavam colando, não achei a página para ver. Mas aluno antigo sempre repassou suas provas para alunos mais novos. Quando eu estava na 8ª série minha turma conseguiu as respostas da prova de história na véspera. Eu não quis ver porque eu era muito boa em história, amava a matéria, já tinha estudado para a prova e queria fazer meu teste e ver a nota, ou seja, queria avaliar meu desempenho. A cola foi descoberta e todos tiveram sua nota cortada pela metade. Sabe, até hoje eu tenho um pouco de mágoa da professora porque ela sabia que eu não precisava daquilo. Eu era vigiada pelos professores para não passar cola para os amigos. Eu fiquei com nota 4,5, ou seja, tirei 9. Eu escrevia contos que se passavam na França durante a Revolução francesa, nos EUA durante a Guerra de Secessão, e dava para a professora ler. Sei que fui punida porque na impossibilidade de se identificar os ladrões de respostas, puniu-se a turma inteira. E eu sei que alguns dos ladrões de respostas amigos meus me isentaram de culpa. Mas a professora não falou comigo. Também sei que ela ficou magoada. Quanto aos colegas, eu passei a sentir desprezo por quem estuda ou cola só pra tirar nota. DESPREZO.

Quando eu não gostava da matéria, ficava na média sem me esforçar, quando gostava tirava notão, me esforçava além do que a escola me exigia e não tinha o reconhecimento que achava que merecia.

Minha filha tem que me apresentar boas notas por uma questão burocrática – precisa de um bom histórico e de condições de ser aprovada nessas avaliações estúpidas. Mas a boa nota é só um detalhe. Quero vê-la curiosa, empolgada, aprendendo e criando. E isso a escola não ensina, não incentiva e não avalia.

Não achei a página da garota e não sei se isso é cola, não entendi a dinâmica da coisa. Se era cola, não era para os amigos e colegas, era pra todo mundo? Assim, banal, impessoal, só para burlar o sistema e conseguir a nota? Se for isso, é medíocre. Mas não há como rir do sistema que tomou uma porrada. Sistema de avaliação medíocre, aluninhos medíocres.

Ah, dona Vânia, garanto que nenhum dos malandros hoje pintam os próprios olhos e o das filhas para fazer maquiagem egípcia quando estudam Antiguidade oriental, como eu faço… Dona Vânia, minha filha hoje levou a enciclopédia ilustrada de história pra mostrar pra professora, toda orgulhosa. Nós amamos História. Aquele 4,5 sem pelo menos uma conversa me dói até hoje. Sabe, anos depois eu levei 4 numa redação. Imagine, EU, mais velha, levar QUATRO numa REDAÇÂO, eu não ficaria quietinha, a tímida magoada, eu parti pra cima da professora. Pior: escrevi sobre FÓRMULA UM e ela disse que era cópia de uma reportagem e que deu 4 porque 4 era a nota mínima, era pra ter sido um zero. Disse, não, mandou dizer, porque ela se trancou na sala de professores e eu não pude fazer por merecer uma suspensão. Eu, zero em redação? Sobre fórmula 1? Eu queria invadir a sala de professores e escrever outra redação na frente dela, mas fui impedida. A diferença, dona Vânia, é que eu admirava a senhora, ao contrário da vaca da professora de redação. Com aquela lá eu não aprendi nem a não separar sujeito de predicado com vírgula. Daquela lá eu nem guardo o nome. Se a senhora pudesse ler isso certamente se lembraria da baixinha feiosinha do cabelo duro, tímida, que escrevia “romances históricos” e colecionava fotos de F1. Eu não deixei de gostar da senhora. Só fiquei com o 4,5 atravessado até hoje, porque eu nunca tive a oportunidade de mostrar que História era muito mais do que só aquele livro, aqueles 4 tempos de aula e aquelas provas, a história estava no cinema, nos livros, na música, nos meus diários antigos, está no meu rosto quando eu vejo o espelho mostrando como devia ser minha tia quando ela era moça.

Avaliação? Prova? Notas? Cola? Bobagens.
Eu e filhote temos um blog. Aqui estão os posts com a tag História, a mais gostosa de se atualizar: http://cantinho.posterous.com/tag/hist%C3%B3ria

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3 comentários sobre “RJ: ‘cola’ entre alunos no Facebook vira caso de polícia

  1. No 2 período da faculdade eu tinha uma matéria chamada “Análise Macroeconômica II” e era tida como a mais difícil do período, com um índice enorme de reprovação e ministrada pelo coordenador adjunto do curso. Imagine o comércio de provas que acontecia. Eu NUNCA li nenhuma delas, tampouco enconstei. O resto da turma parecia desesparado por decorá-las e assim ir bem. Lembro-me bem que uma besta da minha turma saiu da sala com uma veemente e empertigada pose de quem tinha gabaritado a última prova (ela era uma das ‘decoradoras’) e tirou um pífio 1,1, valendo 10.0. Eu, que nunca decorei as tais provas, apenas estudei fiquei com a maior média da turma, um 9.65 histórico para a matéria. Prova de que o crime não compensa, não sei. O certo é que está provado que aprender é melhor que decorar.

    Eu fico apavorada quando algum professor ameaça dar zero para todos ou coisa do tipo…

    Beijos e parabéns pelo texto! Excelente!
    Thaís

    1. E a cultura do jeitinho pra tirar a nota vai do fundamental até a faculdade… Acho que quem estuda o que gosta já está a meio caminho de se livrar da necessidade da cola… Obrigada pela visita!

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