Roud 2, #fail

Eu retiro o que disse ontem. Consegui marcar o eco doppler, mas a ressonância ainda não, e novamente fiquei retida na análise de documentação, e novamente por que recebi a informação errada. Mas não vou falar com o gerente do banco ainda. Agora que eu já acostumei a ser tratada com desdém e desrespeito, dá pra agüentar mais um pouquinho.

Ontem me mandaram embora porque o comprovante de renda de papai era muito antigo. Acontece que o Estado envia os contracheques com meses de atraso para o local de trabalho do servidor, portanto era o que eu tinha. A assistente social que me atendeu ontem me disse para tirar o extrato no caixa eletrônico.

Hoje de manhã, entreguei a documentação ao rapaz da recepção, que me empurrou a papelada de volta.

– Senhora, quero cópias.

Preciso dizer que ninguém me disse que queriam cópias? Lá vou eu atrás de uma xerox e me culpando, “porra, Aline, você devia sim saber que eles ficariam com as cópias dos documentos. Devia ter pensado nisso” Na copiadora, o rapaz perguntou “quantas cópias” e eu pensei “e num é que eu, burrona, esqueci de perguntar?” No passado já voltei da porta do Procon porque cheguei com 1 cópia da papelada e eles queriam 2 cópias de tudo. “Me vê duas cópias de tudo.”

De volta ao projeto social, descobri que era uma cópia só. O rapaz conferiu, aceitou e me entregou a ficha de encaminhamento à Assistente Social. Preenchi a fichinha e fui para um corredorzinho me engalfinhar no meio de uma multidão que não formou fila e estava discutindo pra ver de quem era a vez. Conversando com o pessoal, percebi que cada funcionário do projeto diz uma coisa diferente, adota procedimentos diferentes. Ontem eu fui atendida primeiro pela assistente, hoje foi o recepcionista que recebeu meus documentos e as cópias. E cada um dá uma listagem de documentos diferentes.

Quando entrei no consultório, a assistente social me perguntou, em tom de ameaça:

“tem plano de saúde?” É, mas é plano de clínica…

“quanto?” Quarenta reais por mês. E quem paga é minha cunhada…

Ela olhou a documentação.

– Tá faltando comprovante de renda.

– Mas a assistente que me atendeu ontem me disse que era só tirar o extrato no caixa eletrônica. Ó o extratoaê.

– Ela disse que era o extrato dos 3 últimos meses.

– Não, ela não disse.

– Aqui todos nós dizemos a mesma coisa.

Lembrei da quizumbeira da fila, alertando “não adianta bater de frente com as assistentes sociais, elas nunca voltam atrás”. 

– Eu não vou ser atendida hoje, não é?

– Não. 

E a assitente social separou minha ficha, jogou fora e me entregou os documentos. Até a ficha eu perdi. E o tempo de espera, de 10h às 11:30h, também. Eu não fui mais entrevistada, o exame não foi marcado.

– Você quer que eu escreva pra você não esquecer? – Ofereceu a angelical criatura.

– Por favor, escreva a lista completa, por que cada vez que eu venho aqui aparece uma coisa nova.

– A lista completa está aqui – Ela apontou para minhas cópias. – Só faltou o comprovante.

Quando pego o papelzinho que ela escreveu, estava lá “extrato dos 3 últimos meses, cartão do banco e cópia do cartão.”

– Cartão? – perguntei, surpresa. Não ouvi ninguém falar de cartão…

Eu me senti um tanto aliviada ao ver que ela estava me mandando embora com uma exigência, mas na hora de escrever “lembrou” da outra. É porque antes eu estava me sentindo muito burrinha, sabe aquelas pessoas que não adianta explicar que vai fazer errado? Não era possível que vários funcionários estivessem se equivocando e eu é que estava certa. 

Segunda feira eu volto com o extrato de seis meses e o (entonação de pergunta) cartão(?) e veremos se agora vai. De transporte, lanche e cópias, já gastei 35 reais e perdi um dia e meio de trabalho. E se a assistente social ler isso aqui, vai balançar a cabeça, em sinal de auto-aprovação, porque ela muito provavelmente está espantando a classe C para atender as classes D e E, isso é óbvio. 

 

Depois que descobriram esse lugar, a Baixada inteira tá aqui! – velha quizumbeira do Dona Marta criticando a dondoca de Realengo (que não é na Baixada, carajo!)

 

Esse lugar é sério mesmo? – meu chefe

 

 

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