O futuro digital do Brasil é HOJE!

Artigo da Bia Kunze no Tecnoblog, indicação da Samantha Shiraishi

Sempre haverá quem ache que a reclamação contra os altos preços dos smartphones e tablets é coisa de classe média consumista. Pior quando tal discurso vem da própria classe média.

Está na hora de deixar de lado esse discurso antiburguês e compreender que está na hora de aproveitarmos nossa bonança econômica para botar a mão na massa naquilo que realmente fará diferença na vida dos brasileiros: a educação. Hoje, acesso a tecnologia é sinônimo de cultura, informação, conhecimento, e, por consequência, prosperidade.

Vejo escolas e universidades nos EUA substituindo livros didáticos por iPads. Claro que isso é um imenso motivador para essa meninada que adora eletrônicos, que passam a estudar mais. Muitos cidadãos brasileiros “cultos” dão risada quando falamos em iPads e eReaders em escolas públicas, do mesmo modo como foi com os netbooks educacionais, falando que há coisas mais importantes como merenda e livros didáticos.

 

Ora, será que nossos alunos não têm valor nem capacidade para tal? Quanto à merenda, o problema não é investimento, mas o que alguns prefeitos fazem com os recursos quando este chega ao destino final. Façamos justiça punindo os corruptos. Quanto aos livros didáticos, imaginem-os num tablet brasileiro! Nada de desvio de livros, nada de superfaturamento em licitações de editoras. Imaginem um livro didático open source na web, no qual os educadores de cada região podem adaptá-los à cultura local e instalar nos dispositivos dos alunos!

Quase todas as nossas mazelas digitais podem ser resolvidas hoje mesmo com uma simples canetada. Pronto, incentivos fiscais para fabricantes de hardware e software! Do resto, nos viramos com o que temos! O brasileiro é um empreendedor criativo, só é subvalorizado. Nunca houve uma “política de distribuição de celulares” para chegarmos aos números de hoje. Quantos pedreiros, eletricistas, diaristas e fretistas não se tornaram autônomos bem sucedidos tendo como ferramenta seu pré-pago?

O artigo e os comentários abordam o uso da tecnologia como redutora de distâncias na educação de crianças e, por que não, de adultos. Bia defende nosso direito de aceso às ferramentas de ponta, mas ressalta que temos que extrair o melhor delas, o que significa nesse momento, extrair o melhor daquelas de que dispomos. Temos sim que pressionar pela queda de impostos e comemorar a possível abertura de fábricas de tablets no país, mas temos que lembrar que computador, celular, lan house e tim infinity pobre, tablets nacionais e importados de segunda mão (o que me lembra de que ainda não botei apelido no kindle, também com um nomezinho tão graciso…) e os infames carnezinhos estão aí à nossa disposição, para colocar a tecnologia a serviço da instrução, da pesquisa, do desenvolvimento pessoal, da imaginação e da criatividade.

Mas alguém tem que fazer o trabalho duro, que vai além de meter a mão no bolso. Tanto faz se eu pago meus gadgets ou se os ganho em programas governamentais, é preciso entregá-los às crianças junto com orientações e opções de uso. É claro que a molecada vai usar o celular pra ouvir música na sala de aula. Eu ouvi rádio! (oi, mãe… oi, filha! depois eu explico). Vai ouvir o quê? um diálogo em inglês ou espanhol, do tipo que ou você paga caro num cursinho ou encontra de graça na internet? Que tal ver o slideshow de uma galeria de arte egípcia? Ou gravar um funk sobre a prosperidade que o Nilo trouxe ao Egito, junto com os transtornos das inundações? O desenvolvimento da agricultura, o profesor ensina aos alunos. O processo de composição do funk, eles ensinam ao professor. E a enchente a gente conhece desde que se entende por gente (sou do RJ, daí o funk, mas se rolar um samba eu prefiro).

É preciso tempo para preparar as atividades. O que deve estar no centro não é o uso do aparelho eletrônico, mas sim o processo de aprendizagem. Não dá mais pra achar que só os livros bastam. Eu amo os livros, se eles já não me bastam, imegine para uma criança de 10 anos?

Precisamos de pais e professores comprometidos. Eu já tive vontade de falar horrores dos professores de minha filha, até que parei e usei a cabeça pra pensar. Eles têm seus problemas, que nós conhecemos muito bem. E eles são autoridade, a criança tem que obedecer e respeitar. Que fique bem claro, eu exijo da minha filha obediência e respeito ao professor. O que ela tem é autonomia para direcionar seu aprendizado, por isso a gente desmonta livro, reescreve o caderno, pinta tudo, fotografa, filma e pede autorização pra quebrar a regra e levar o mp6 pra escola. Até a proibição de maquiagem foi quebrada outro dia, dentro de casa. O lápis de olho foi um presente que os egípcios nos deixaram, tive que fazer aula prática de pintura egípcia outro dia 😀 Eu não devo arranjar mais problemas e preocupações para os profesores. Eu vou além deles. E miha Filhote tem coisas que eu jamais imaginei na minha juventude, graças à tecnologia. 

Se o prefeito resolver financiar IPad (os que nascemos em Realengo temos prioridadade 😛 ), ótimo. Se não, isso não é desculpa pra ficar de braços cruzados ou decretar a morte da instituição escola. Há muita coisa a nosso alcance. 

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