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Meu material escolar era uma bagunça. Só comecei a arrumar bonitinho no final do curso técnico. É que eu tive que aprender sozinha. É que “bonitinho” é do meu jeito. Minha mãe, minhas professoras e coleguinhas olhavam meus livros e cadernos e diziam que estava uma porcaria. Então eu nem me dava ao trabalho de tentar organizar. Anotava os trabalhos na capa dos livros. Horroroso, mas funcionava. Não conseguia fazer aquelas páginas coloridas e cheias de borboletinhas que as professoras sempre tomavam como “modelo do caderno ideal de menina”. Todas faziam assim. Borboletas, corações e casinhas para anotar o trabalho de casa. E ninguém fez curso de scrapbook no caderno de matemática. O problema é que esse era o padrão e eu nunca fui boa em captar e replicar o padrão. 

Hoje eu digo pra filhote: você pode fazer do jeito 1, 2, 3, 4, 5 ou criar o seu. No ano passado enfrentei uma resistência monstruosa, ela acreditava que o único jeito correto era o que a professora mandava. Esse ano, primeiro do ginásio, ela está perdida porque a professora não se ocupa mais com essas coisas, as colegas já aprenderam o padrão e mamãe insiste com a história de 5 jeitos diferentes mais o seu. Mas vejo progressos. Timidamente ela já vai inventando o jeito dela. Quase 10 anos mais cedo do que eu consegui.

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