Tecnologia transformadora x Transformando a tecnologia

Nos contextos sul-americanos, especialmente, é certamente mais impactante repensar possíveis usos para “baixa tecnologia” disponível (tecnologias mais antigas e mais bem conhecidas) nos contextos locais, de acordo com as necessidades locais, ao invés de seguir o mais novo dispositivo “descontextualizado”. Este Interactivos?, no Brasil, será uma boa oportunidade para começar uma avaliação do que é realmente tecnologia de ponta (ou “realmente impactante”) a partir de tecnologias básicas repensadas através de “ outros” contextos, mais diversos, reais, sociais e culturais, e não tão influenciados por interesses comerciais das indústrias de tecnologia.

Ahá, isso vai ao encontro do que eu defendo sobre o uso da tecnologia a serviço da educação. Eu amo tecnologia mas eu não posso perder tempo aprendendo a mexer com tecnologia, eu preciso de tempo para aprender o assunto do estudo.

Filhote quer um celular porque todo mundo que é normal tem celular, incluindo crianças mais jovens que ela. Ela sabe que não somos uma família normal e, espertamente, tenta adaptar a tecnologia à nossa vida. Ela sabe que eu controlo (ou tento controlar) meus afazeres com agendas online, então ela também quer tentar.

Acho ótimo. Mas pedi pra ver primeiro o método de organização em prática numa agendinha de papel. Fracasso total. Enquanto ela não for capaz de anotar, rastrear e cumprir suas tarefas com lápis e papel, ela não precisa de agenda eletrônica. A etapa onde ela falha é na entrada de dados, então, é um problema de BIOS que vai acontecer no papel ou no teclado.

Eu sei do que estou falando, eu não sou tão velha assim e ganhei uma agenda eletrônica cássio de papai quando estava no ginásio, e a agenda não me serviu pra nada. Na época eu anotava minhas tarefas (quando anotava….) nas capas dos livros…

Conteúdo de livros, cadernos e folhinhas avulsas (malditas folhinhas) viram doc ou pdf e vão para dropbox ou evernote. Podem ser vistos na tela do pc ou na telinha do smartfone. Num esforço econômico (e meio irresponsável), comprei um ebook reader. Mas não defendo o uso de tablets, ao menos não agora. Porque são extremamente caros, são multifuncionais (o ebook reader não é, o smartfone é, mas a tela é tão pequena que, na prática, não é), podendo provocar dispersão e são aparelhos ainda muito novos. Eu já tenho a minha disposição o papel e aparelhos eletrônicos mais baratos, mas que ainda não são amplamente utilizados na educação. E tem gente dizendo que a salvação é o tablet.

Ainda não usamos a biaxa tecnologia e o que é top de linha hoje deixará de ser daqui a seis meses, dificultando a vida de quem queira usá-los na vida prática.

Se a criança não se empolga com a matéria, não será o último gadget do mercado que dará um jeito.

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