Encarem a realidade do país

Recebi um link no twitter sobre BBB e boçalidade. É um texto de uma pessoa que acompanha o programa, gosta e defende seu direito de escolha. Fala obviedades sobre a formação cultural do brasileiro médio e diz que os “cultos” que não gostam do programa não gostam porque é um retrato incômodo da nossa sociedade. Só que ela coloca as coisas como uma culta que se diverte com o show dos ignorantes. 

E o que o BBB tem a ver com isso? Tudo. O programa nada mais é do que o Brasil representado na tela. É difícil ver uma realidade inconveniente na sala de casa, não é? Os participantes nada mais são do que uma amostra do povo brasileiro. Se muitos dos dos brothers têm inteligência limitada, é porque o brasileiro médio é limitado. Se são adeptos de baixaria e putaria, é porque foi em cima disso que o Brasil foi construído. Portanto, não reclamem do BBB, encarem a realidade do país ou se mudem para a Suíça.

Então, assistir ao BBB emburrece? Não. Como qualquer outro hobby, o BBB pode ser um alívio das pressões do cotidiano, um passatempo inofensivo, como assistir a uma série ou torcer para um time de futebol. 

Além do mais, ser inteligente o tempo todo é muito chato. Pessoas que só se interessam por conhecimento e por debates relevantes se tornam prepotentes e acabam vivendo num universo paralelo.

O BBB e a Boçalidade, do Blog Sobre Nada

E no mesmo di li na Revista Época um tipo de Reality Show que , desgraçadamente, não desperta paixões, torcida, mobilização, nem mesmo a curiosidade mórbida da elite:

Era uma noite de segunda-feira. Há um mês, a procuradora do Trabalho Ana Luiza Fabero fechou um ônibus, entrou na contramão numa rua de Ipanema, no Rio de Janeiro, atropelou e imprensou numa árvore a empregada doméstica Lucimar Andrade Ribeiro, de 27 anos. Não socorreu a vítima, não soprou no bafômetro. Apesar da clara embriaguez, não foi indiciada nem multada. Riu para as câmeras. Ilesa, ela está em licença médica. A empregada, com costelas quebradas e dentes afundados, voltou a fazer faxina.

O encontro entre a procuradora e a empregada é uma fábula de nossa sociedade desigual. A história sumiu logo da imprensa. As enchentes de janeiro na serra fluminense fizeram submergir esse caso particular e escabroso. Um mês seria tempo suficiente para Ana Luiza Fabero ao menos telefonar para a moça que atropelou, desculpando-se e oferecendo ajuda. Nada. Além de falta de juízo, ela demonstrou frieza e egoísmo. Vive na certeza da impunidade.

A Procuradora e a empregada, da coluna de Ruth de Aquino na Revista Época, edição 

Não tenho críticas a quem assiste o programa (viu, tias? viu, sogra do meu irmão?) e concordo plenamente com a necessidade de cada um escolher sua válvula de escape preferida. Só acho que o Reality Show da tragédia brasileira não é entretenimento, é de uma tristeza sem tamanho.

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