“Minha senhora, quanto tempo você ainda vai levar pra liberar meu processo?” Olho no sistema, liberei antes de sair pro almoço. Dá vontade de bater o telefone sem dar maiores satisfações, afinal já trabalhei no processo e já ouvi reclamação fora de hora. Não bato o telefone e a outra lá muda o tom de voz, toda educada. “Muito obrigada pela sua atenção”.

Não faz parte das minhas atribuições atender o público, mas a gente acaba atendendo, não dá pra evitar. E a gente procura ser educada, o que é diferente de ser subserviente. Sabe a máxima “o cliente tem sempre a razão?” A criatura chega, mete o pé na porta e quer que todos corram, desesperados, para resolver de qualquer maneira os problemas dela. Só que aqui a máxima não é a do cliente tem sempre a razão, aqui imperam os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Todos concordam que o agente público deve ser moralmente inflexível, menos quando é o seu rabo na reta, aí a criatura não só admite como exige tratamento especial.

É fácil saber quando o agente público tá de sacanagem. o que vale pra um, vale pra todos? Então ele está sendo correto.

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