Por uma navegação mais segura e respeitosa

A internet é um território anárquico, para o bem e para o mal. Bem, até onde eu eu entendi, anarquia não é bagunça ou caos, o sistema anárquico é aquele que se auto-regula sem a necessidade de uma autoridade imposta. As autoridades são espontâneas e se revezam. Utopia, até onde eu entendi, é um sonho bom.

Eu não vou tratar sobre a guerra no Rio. Isso não é problema meu. Meu problema é a educação de Filhote e dessa ninhada, digo, das crianças de sua geração. Por tabela a gente ajuda a amenizar o problema das dorgas lá na frente, entregando à sociedade pessoas equilibradas, mas o meu problema é criar uma menina feliz e saudável.

Filhote estava procurando poesias para homenagear as professoras na festa de fim de ano. Eu sugeri uma música. Sim, aquela do filme. Procuramos no youtube, encontramos uma versão cantada pela Eliana, que ficou simplesmente medonha. Procurei mais, e eis que se abre na nossa frente uma janelinha com um desenho animado. A pornografia cai no nosso colo.

Não dá pra controlar a internet, dá? Well, Mr. Jobs luta ferozmente para isso, tem seguidores entusiastas. Eu não acho que ver um piruzim esporadicamente vai transtornar minha filha, até porque ela já foi academicamente apresentada a um pela professora de ciências (tava no livro, a professora não possui um), mas eu sou de outro tempo, outra geração, outro século, e nossos encontros com esses desenhos safadinhos era realmente esporadicos e nós estávamos atrás deles, tentando matar a curiosidade. Hoje em dia esses estímulos são esfregados na nossa cara contra a nossa vontade, nos momentos mais inconvenientes, sem qualquer filtro. Da mesma maneira que veio só um bigulim desenhado numa folha de papel, vem coisas mais explícitas. E Filhote tem só dez anos. Crianças dessa idade já têm uma noção dos muitos segredos que o mundo adulto possui. Aí é que está, são muitos os segredos, a aventura do crescimento é ampla e diversificada. O sexo é um desses assuntos que são ditos entre cochichos pelos grandes, apenas um. Minha reação e a do pai sempre foi a de não-escândalo. Escândalo a gente faz quando ela aprende a cantar uma música em inglês, quando faz uma tarefa doméstica perfeitamente, sem ter sido ensinada, fizemos escândalo no dia em que ela fugiu do berço e no dia em que ela foi de manhãzinha na padaria comprar pão enquanto ainda dormíamos. Coisas que nos assustam e nos alegram.

A internet é espaço público, mas não faltam salinhas privadas. E tanto nos espaços públicos quanto nos privados a integridade física e emocional das crianças deveria ser respeitada e defendida. Educadores e familiares deviam se organizar na construção de espaços filtrados, nos quais fosse possível soltar as crianças à vontade. Isso não é censura. É simplesmente intervir para jogar lá pra trás da fila assuntos “imprórios para a idade”, incitações à violência, o culto ao individualismo, à competitividade feroz…

Eu não sei se o caminho seria pagar por aparelhos e provedores de internet “seguros”. Ou a sociedade é segura e preocupada com a formação dos seus filhos ou não é. Até pouco tempo eu saía na frente, pesquisava, filtrava e oferecia a ela uma lista de links. Mas as amarras precisam ser gradativamente afrouxadas para que ela amadureça. O que não nos impede de vigiar a uma distância segura.

E isso que eu ainda não tive problemas com assédio na rede. Eu vejo problemas em abrir um site de vídeos procurando uma musiquinha e encontrar bobagem. Clico num link do jornal e na caixa de comentários da notícia sobre corrupção, há pornografia. Na capa da editoria de cultura do mesmo jornal eles publicam fotos sem sentido (não, eu não aceito que um jornal sério trate cu pro ar como assunto cultural)

Lista de sites para quem está perdido indignado baratinado:

http://www.safernet.org.br/

http://www.internetsegura.org

http://www.maecomfilhos.com.br/

http://www.internetresponsavel.com.br/criancas/

Post do bem

Como assim, youtube não é lugar pra criança? Quem acha mesmo isso vai sonhar com a Utopia, e com a menina canadense passando-lhe uma senhora descompostura.

 

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3 comentários sobre “Por uma navegação mais segura e respeitosa

  1. Muito bom, o texto. Eu ainda não tenho filhos, mas me preocupo com o que os meus sobrinhos vão ver por aí…
    Infelizmente, o pessoal tem uma sensação de anonimato, na Internet, e acha que é terra de ninguém, o lugar para fazermos todas as coisas que não podemos fazer (publicamente) no mundo offline.
    Será que as coisas vão se autoajustar? Acho que não. Mas também não sou a favor de eliminar todo e qualquer conteúdo perigoso indiscriminadamente da internet – sim, Jobs exagera!
    Mas, enfim, é cruzar os dedos e ir em frente!

  2. É, foi o memo que meu marido falou. A sensação do anonimato. Nessa hora eu não sei se a pessoa aproveita para descarregar frustrações ou se ela só age como ela realmente é, sem máscaras 😦
    Ih, tá nevando no wordpress, o natal está chegando 😀

  3. Hehe! Neve no WordPress é legal!
    Agora, isso que você falou de máscaras me lembrou de uma frase antiga sobre o Carnaval, veja só!
    “No Carnaval, muitas pessoas tiram a máscara”.
    É por aí, mesmo…

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