Ói o trem

A obra do metrô, a saída da Auto Viação Bangu da operação da linha 397 e a licitação das linhas em andamento. Além da conjunção astral. Devem ser esses motivos que tornaram minha volta pra casa um inferno. A espera pelo embarque leva de 40 minutos a uma hora. Sabe o que é esperar uma hora para começar a viagem de volta pra casa? A viagem dura mais 2 horas. É massacrante. Outro dia falei com um colega que tinha levado 3 horas pra chegar em casa e ele respondeu com um "nossa, eu nem consigo imaginar" e eu me peguei pensando "como é que eu consigo imaginar um troço desses?"

Nessa espera de 1h pelo embarque, não é que não passe nenhum ônibus. Passa direto pelo ponto. Tive que sair da confusão dos pontos em frente a Prefetura e os Correios, fui para quase no Sambódromo.

Aquele dia ainda teve um grand finale. Mais uma hora de espera no ponto para embarcar numa kombi, sendo que elas cortavam o ponto, mesmo com lugar vago. Foi a derrota total. Sei que motoristas de ônibus pulam ponto pra cumprir horário e pra descontar suas frustraçõs em cima do passageiro, mas motorista de kombi faz isso por que, se não é por canalhice?

No dia seguinte eu tinha que fazer alguma coisa diferente. E resolvi andar de trem, pela primeira vez desacompanhada.

Já passei da fase "sou uma lesada que não sabe andar na rua sozinha" e ao contrário de ontem à noite nem vou dizer que é tudo culpa da minha mãe, pois já conheci muitos "desajeitados" como eu. É normal. Crescemos no período em que o serviço do trem se deteriorou, enquanto a oferta de ônibus se ampliou até que o engarrafamento se tornasse uma condição permanente.

O maior obstácuo não teve nada a ver com o trem. Foi atravessar a rua! Tanto na estação de embarque quanto na de desembarque me vi obrigada a atravessar vias de movimento pesado e sem passarelas ou faixas por perto. Minto, em Realengo é possível descer o viaduto a pé, caminhar ao longo do Campo de Marte e chegar num cruzamento onde ninguém respeita o sinal. Aí você escolhe se vai se jogar na frente de carro, ônibus, caminhão… Eu me joguei na frente de uma moto.

Em Bangu, a saída da estação é na calçada certa, ao lado dos pontos de ônibus. Mas eu não fui para Bangu, fui para o quinto dos infer, digo, Realengo.

Dentro da estação foi tranquilo. Peguei o ramal errado, é claro. Felizmente não foi o Japeri, foi Deodoro, e só ao chegar lá descobri que podia me transferir para o Campo Grande. Pensei que teria que voltar pra Madureira. Não tinham me dito que Deodoro é estação de transferência. Também não me disseram que se na plaquinha do trem está escrito "Santa Cruz", isso não significa absolutamente que esse trem é o ramal Santa Cruz, de onde eu tirei esa idéia!

Em Deodoro peguei o famoso trem coreano com ar condicionado e me agarrei ao balaústre, para perceber rapidamente a diferença entre o passageiro usual de trem e de ônibus. Aquele que vem do ônibus e nunca andou de trem na vida é o que se agarra ao balaústre com toda força, com medo de cair.

No trem coreano o locutor de estações já tinha largado, mas no mapinha eu vi que Realengo é a 3ª estação depois de Deodoro. Só não sabia qual era o lado do desembarque, então fiquei no meio do corredor, olhando para as duas portas.

É, passageiros de trem, eu sei o que vocês estão pensando. Quando o trem pára e vocês invadem os ônibus, nós pensmos o mesmo… Pelo menos eu não dou sinal no ponto errado e faço o trem parar à toa Smiley

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