A “tia” me deu uma advertência

Levei mais uma chamada da escola do século XIX onde minha filha estuda.

 No início do ano, desesperada com o peso da mochila, tive uma idéia ergonomicamente eficaz. Os livros são encadernados em espiral. Desmontei-os e voltei a montar cada 1 com apenas uma unidade das 4 disponíveis. Quando ela termina a unidade 1, eu troco as páginas pela unidade 2. O peso da mochila diminuiu sensívelmente. Mas veio a perguntinha pertinente “e se lá na frente eu precisar da matéria que já passou e que eu não tenho mais no meu livro?”

A solução veio de outra dificuldade, a famosa “eu não consigo achar a resposta no texto”. Não consegue porque não sabe reconhecer os núcleos de significado das frases. Ora, veja o que é perguntado e procure aquela questão dentro dos parágrafos. Não é pra ler o capítulo inteiro. Se a pergunta é “o que foi o golpe da maioridade?”, procure por “maioridade” ou “Pedro”, se bem que o mais provável é encontrar “Golpe da Maioridade” em letras garrafais como título de parágrafo, e se fosse num tablet, piscando e tocando musiquinha. Pois bem, sentei com ela e ensinei-a a sublinhar as palavras chave dentro dos parágrafos. Depois, reescrevemos o capítulo com base nas palavras chave. Fizemos um belo resumo e, tchanam! Colamos no caderno. Taí a solução para o livro depenado.

 A professora me mandou um recadinho: a diretora verifica os cadernos das crianças para avaliar a organização. Quem tem criança no Fundamental I sabe que suas anotações são caóticas e ilegíves e a escola tenta consertar isso. É o que a diretora deveria avaliar. Mas a professora acha que nossos resumos estavam fora do padrão “cadernal”. O caderno ficava “bagunçado”. Filhote deve colocar o resumo de história num caderno de resumo de história, e nunca no caderno de história. (Realce no núleo do significado. Mentira, é só pra realçar o absurdo mesmo. By the way, minha professora de português odiava meus parêntesis, mas eu gosto de escerever assim, fuckyou)

 Hoje eu sei o que era a angústia que me corroía na época da escola. Eu não entendia, porque sempre gostei de estudar. Eu chego até a me divertir estudando, pra horror de amigos e parentes que achavam que eu jamais teria uma vida normal. Mesmo tão interessada, eu sentia que faltava algo, que eu estava perdendo tempo, que poderia estar fazendo algo bem melhor, mas não era a alternativa que minhas amigas me ofereciam (parar de estudar e cair na gandaia)

Hoje eu sei que a escola faz de tudo para sufocar a iniciativa e a criatividade dos alunos.

 dessa vez eu abaixei a cabeça pois já sei que se eu continuar batendo de frente com a escola vou minar o respeita de minha filha pela instituição, e a gente precisa obtewr o melhor que ela tem a oferer, mesmo que seja o melhor do século XIX.

 Nós já temos o Cantinho de Estudos. Daqui a 5 anos talvez a escola resolva exigir blogs dos alunos e o que era a maior curtição, como já foram ler, desenhar, pintar e dançar, vai virar um tormento.

A escola não é ruim, ao contrário. Munha filha, como eu, é boa aluna. Só que desde a minha geração até a dela a escola é a mesma, e o que nos oferece não é o suficiente. Somos inquietas demais para eles.

P.S – Um professor de espanhol quase chorou de felicidade quando eu fiz uma pesquisa que ninguém pediu e entreguei a ele. Estudar espanhol, uma paixão, imagine o que eu não fazia? Pois o homem se emocionou e ainda desabafou: “a galera pagar pra estudar aqui, e paga caro, e eu tenho que mendingar a atenção deles, e quando bate o sinal eu tenho que me jogar na frente da porta para conseguir terminar o último recado… “

 

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