Isso foi uma vergonha

Tá, o título tá horrível mesmo, mas é melhor ir de trocadilho pra comentar brevemente sobre a gafe do Boris Casoy. Deu uma baita vergonha alheia mesmo.

Eu trabalho na Prefeitura. Há alguns anos a Comlurb passou a fazer a limpeza dos prédios, substituindo a firma terceirizada. No início achei que não daria certo, pois os garis fazem limpeza externa… Pois não é que os prédios estão limpíssimos? Há um supervisor que visita as salas e confere determinados pontos. Outro dia ele colocou uma luva branca e passou o dedo sobre a divisória. Desde aquele dia eu fiquei com medo dele. Quando limpo minha casa fico imaginando se ele aprovaria meu serviço… 😀

Não é em todo canto, mas em várias salas os garis fazem o “primeiro contato” com os “administrativos”, que se não somos os mais baixos na cadeia alimentar do funcionalismo estamos quase lá. Nós combinamos com eles o melhor horário para a limpeza. Houve um tempo que o pessoal da sala não queria que gari mexesse nos papéis para limpar as mesas, então eu combinei com eles: EU limpava as mesas, pois se eles não limpassem e aquele supervisor pegasse a mesa suja, sujava pra eles…

Já roubei rolo de papel higiênico do banheiro, e a menina da limpeza se desesperou: “se eu digo que um rolo desse tamanho acabou em um dia vão achar que eu levei!” Eu estava com crise de rinite (quero dizer, com coriza jorrando pelas narinas, arg). Ela me deixou levar o rolo e no fim do dia devolvi o que sobrou.

Quando as meninas precisam usar o telefone eu permito. Elas só falam o necessário. Quando eu preciso de ajuda pra carregar peso, eles são os primeiros a ajudar. Quando eles pedem permissão pra aspirar o carpete (eles sempre pedem, pois normalmente os funcionários reclamam do barulho) eu peço peloamordedeus e agradeço do fundo do coração (e das narinas).

Só tem uma coisa: todo porcão carioca, ao ser flagrado jogando lixo no chão, abre mó sorriso orgulhoso e diz que está dando emprego pra gari. E haja gari, são 20.331 toneladas de lixo por semana recolhidas na cidade. Aqui na 17ª R.A, o lixo diário per capita é de 568,13 gramas. Jogar o lixo na lixeira não vai tirar o emprego de ninguém, mas vai diminuir o trabalho, o esforço de varrer e catar…

P.S – Brincando no lixômetro, vi que o povo de Bangu e Realengo é muito porco mesmo! E se duvidar são vocês que vão pro Centro e pra São Cristóvão e despejam lá mais 700 toneladas de lixo na rua :-/

P.S. 2 – Os de Padre Miguel jogam tudo na calçada do INSS mesmo, eca.

P.S.3 – O Boris? Aff, quando ele sair da minha TV eu volto a assitir o Jornal da Band. O único videozinho que vai passar aqui é da Comlurb:

P.S – Não vou colocar o vídeo do Casoy, é revoltante. Ele humilhou dois garis que apareceram no Jornal da Band desejando feliz 2010.
Segue uma entrevista com os garis ao videocast da Folha Online (na matéria há link para a diarréia mental do Boris).

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.
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4 comentários sobre “Isso foi uma vergonha

  1. Gostei demais do post. Esse relacionamento com os garis é o exemplo de como deve ser. Infelizmente alguns se acham e nunca mais se encontram – os garis continuam garis, tristes mas essenciais.

    Mas…
    O que o Boris fez, meu Deus? Essa eu perdi, embora não tenha perdido outras…rsrs.

    Abraços.

  2. Foda…
    Não sei porquê, vindo do Boris Casoy, isso não me surpreendeu. Por diversas vezes ele mostrou o que é na realidade, e mesmo que não tivesse, aquela cara dele o denuncia. Trata-se de um grandessíssimo filho da puta… um tririnha de merda.
    Mas…. é foda. Sempre é.
    Garis,
    Todos juntos, embora eu não seja ninguém, oremos para que a raça humana melhore um pouco a cada dia e que tipos como esse entrem em extinção o mais breve possível.

    Abs.

  3. Pensando bem, Aline, já que está “na moda” o Judiciário aplicar penas alternativas, a associação de garis poderia processar esse merdinha e o Juiz podia condená-lo a prestar serviços à sociedade. Eu sugeriria que esses serviços fossem de limpeza urbana e que ele ficasse pelo menos um mês com uma vassoura nas mãos, na praia de Copacabana.
    Abs.

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