Viradão Carioca, teve o quê?

Teve que chamasse de Pobre In Rio, teve quem reclamasse do problema mais evidente de shows 0800, que é o fã ter que conviver com quem tá de curtição, quem tá perdido e quem tá pra zoar. Teve gente que reclamou do Milton Nascimento em Bangu. Teve público deslocado e sem-noção, do tipo que critica o grupo de dança, reclama que não está entendendo nada, que a dançarina é feia, e depois, ao ver a dançarina na platéia, correu pra tirar foto. E teve também gente que se foi se divertir ao invés dese preocupar com a vida dos outros. Teve criança brincado de bola, velhinhas quietinhas olhando o show, outras rindo da garotada, e ainda outras que taparam os olhos da netinha e deixaram a praça só porque a Kelly Key deu uma reboladinha, vestido comprido, não apareceu nem um pedacinho da poupança. Teve sambista de primeira gerando perplexidade em Bangu, alguns não ouviam nada tão bom há anos e sorriam, outros não ouviam nada tão bom há anos e não estão mais acostumados, pediam pro cara ir embora. Teve dançarina que fazia samba, funk e axé batendo as mãos pelo corpo e sacudindo a cabeleira – que não existia. Teve dançarinos de funk limpinho, dispensando a vulgaridade. Teve o Centro Cultural Carioca pra quem nunca teve coragem de subir aquela escadinha da 7 de Setembro. Teve cinegrafista da Globo perseguindo criancinhas, meninas de menos de 2 anos aprendendo a andar e usando vestidinhos de boneca.  Fez fila de pai pra botar os bebês na frente da câmera. Teve gente que pegou 397 domingo à tarde pra cair na farra no Centro, depois de pegar essa banheira a semana inteira pra trabalhar. Teve gente que saiu do Flamengo e andou de trem pela primeira vez na vida pra encontrar o Milton Nascimento em Guilherme da Silveira. Teve gente que baixou no Ponto Chic às 10:30h da manhã pra ver Fórmula 1 enquanto o show não começava. Teve um mar de gente pra ver O Rappa. Teve sorrisos amarelos toda vez que a organização e os artistas agradeciam à  dona Jandira e à TV Globo. Teve caipirinha de maracujá, bastava uma pra aquecer aqueles que não alcançaram a arquibancada e ficaram dançando na praça. Teve gente em êxtase e gente em profundo sofrimento, tapando os ouvidos durante toda a apresentação, estando ali apenas para vigiar de perto suas “crianças”, todas com mais de 18. Teve humor involuntário quando o Falcão disse que é sobrinho do Celso e quando mandou um alô pra Santa Cruz. Teve segurança, PMs e GMs, e teve gente à vontade com smarphones e… Ih, não é um netbook, é um dvd portátil! Teve até quem perdesse e encontrasse a carteira e os documentos do carro!

Teve muita cultura e diversão espalhada pela cidade. Ano que vem tem de novo? Planejamento, divulgação e mais pontos da cidade contemplados cairiam muito bem.

Tem fotinhas!

Viradão Carioca

P.S. – A pergunta que não cala: ali é Bangu, Guilherme da Silveira ou Padre Miguel? O.o
P.S 2 – Mãe, eu escrevi no Globo!

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Um comentário sobre “Viradão Carioca, teve o quê?

  1. Aqui em São Paulo tem estes probleminhas que você citou.
    Mas tanto aqui quanto ai, os resultados foram legais.
    Gente que se divertiu e esqueceu um pouco os problemas da cidade.
    Como deveria ser.

    Parabéns pelo Globo!

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