I’m pushing like a hell!

Sexta-feira à tarde no escritório, pilhas e pilhas de processos entrando (cento e onze no total), eu morta de fome, sentada ao micro, tendo que atualizar o relatório de vistorias para que minha ex-chefe pudesse distribuir os novos processos. O email aberto, Thiagão e Babi resolveram me botar contra a parede. Ligo para meu marido e ele não atende. Ao meu redor, o engenheiro maluco me pediu para fazer um memorando, dois avaliadores queriam entregar os processos, uma senhora queria saber a situação de seu processo porque ela tem muita pressa em saber logo a resposta (ela e os outros 110 que chegam por dia), uma criatura que eu nem sei quem é mas já não vou com a cara me pressionava para passar o processo dele na frente, sem o menor pudor, pois ele é amigo do diretor, e o diretor inclusive já tinha falado comigo antes mesmo que o maldito processo desse entrada na Divisão. Passar o processo na frente dos outros é fácil, difícil é encontrar o maldito processo no meio dos 110 diários para poder cometer a improbidade, e era o que eu tentava explicar, que seria mais simples me deixar em paz que o processo prosseguiria dentro do prazo normal. Marido liga e eu, super rude, pergunto se posso dormir na mamãe na segunda. Ele diz sim, atônito, e eu desligo. Um engenheiro entra na sala querendo saber se era ali que ele podia se inscrever para fazer avaliação e eu digo que era porque a inscrição está fechada. Ele me pergunta quando vai reabrir e eu tenho um surto de sinceridade:

– NUNCA!

Os dois avaliadores tinham que devolver suas vistorias e eu tenho que sair da frente do micro. Ao fechar as janelas, espio o yahoo e vejo o email do Thiago dizendo que “segunda não vai dar…” Dou o comando para fechar todas as janelas, o excel pergunta se é pra salvar as atualizações no relatório de vistorias e eu clico em não, para ter uma síncope em seguida.

– Eu fechei o excel sem salvar o relatório! Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao!

Mais tarde minha ex-chefe resolve me pedir as atualizações:

-Aline, seria possível que…

-Não.

Meu novo chefe quer que eu tramite 140 processos em menos de cinco horas. E a criatura abominável volta perguntando se ele não podia pegar o processo e levar embora. Eu taco o processo em cima dele mas meu novo chefe diz que não, que eu é que tenho que cuidar do processo. Levanto, fula da vida, cadastro e tramito o processo do infeliz do amigo do diretor na frente de outros 140 para no fim do dia ouvir do meu chefe que eu não precisava ter feito aquilo.

PS 1 – se fosse minha ex-chefe, ela não deixaria o mundo cair na minha cabeça para depois reclamar que eu cedi às pressões, ela mandava todo mundo pra pqp. Bons tempos aqueles.

PS 2- Hoje, segunda-feira, entraram mais 110 processos e eu os deixei debaixo da mesa,pois tinha que despachar metade dauqles que ficaram para trás na sexta. Setenta processos é processo pra cacete. Meu ritmo normal, trabalhando forte, é de quarenta. Mas eu tirei 2 horas de almoço, então tinha mais é que cair matando na pilha de processos.

PS 3 – as duas horas de almoço passei mergulhada nas reportagens do GP da turquia, me preparando para as gravações de hoje à noite. Até chamei o Ron e o Felipe pra gravar também!

PS 4 – Eu preciso de férias, eu quero férias, o trabalho está literalmente me matando. O Instituto está cada vez mais parecido com um INSS, cria dificuldades para os segurados para depois vender facilidades. Tiraram nossos equipamentos, os funcionários, passaram o rodo exonerando todo mundo, os processos se acumular e entram na Divisão numritmo impossível de se trabalhar. E diariamente chegam pedidos especiais de diretores, gerentes, secretárias do gabinete e o escambau. Não pode ser por acaso.

P.S. 5 – Céus, eu acho que eu não posso falar disso em público. Uma vez o diretor quase me matou porque eu revelei a um segurado que a nossa impressora estava quebrada.

P.S final – estou online no skype! Alguém quer gravar podcast? Pode ser o último antes que eu enlouqueça de vez!

Direitos autorais do título: Iarno Trulli!

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3 comentários sobre “I’m pushing like a hell!

  1. Ufa!!!!
    Cheguei ao final do relato com o ombro doendo.
    Pensei que só o meu emprego fosse coisa de maluco… não sou a única privilegiada.
    Várias vezes deu vontade de falar um palacrão no seu lugar.
    rsrsrsrssrsrs

    Trullizinho tem razão, e nós também.

    Beijos para vc, Aline… e já estou louca para ouvir este podcast… vejo que está prometendo.

    Vick

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